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Ambientando para os dias de hoje a história do primeiro escravo brasileiro a ser alforriado, Dia de Preto surpreende ao fugir do padrão dos grandes filmes do cinema nacional. Dirigido por Marcos Felipe, Marcial Renato e Daniel Mattos, o longa prende por 85 minutos, contando a história de um negro que, perseguido pelo pai de seu caso amoroso e uma gangue, precisa recuperar um sino de ouro do século XVII.

"Dia de Preto"Liberdade e preconceito, fugindo dos clichês


Cena do filme "Dia de Preto"
O filme surpreende tanto esteticamente quanto por seu roteiro; é diferente do que o público de cinema brasileiro está acostumado e talvez essa seja a causa dos nove prêmios já levados pelo longa. A fotografia estourada dá um charme a mais. As paisagens utilizadas para retratar os momentos no século XVII são destacadas por essa técnica e ficam ainda mais belas. As cenas escuras (maior parte do longa) também ganham um toque especial com o excesso de brilho.

O elenco é pequeno e muito agradável. Todos convencem, mas Marcelo Batista como protagonista merece destaque. É ele quem conduz a história, é ele quem nos leva aos outros personagens e nos deixa descobrir a função de cada um. Por último, mas não menos importante, a trilha sonora merece ser citada. As canções de Nado Zicker, Denis Porto e João Vianna (filho de Djavan) envolvem e levam o filme no ritmo certo, quase explodindo os ouvidos no clímax de uma maneira que é rara de ser feita.

Espera e esforço que valeram a pena


Poster do filme "Dia de Preto"
Planejado desde o fim da década de 90, Dia de Preto foi gravado, quase sem orçamento, em 2008 durante os fins de semana em um shopping do Rio de Janeiro e possui locações no Vale do Paraíba e no Bosque da Freguesia, em Jacarepaguá.

O longa foi exibido no Festival do Rio em 2011 e percorreu diversos festivais pelo mundo, recebendo boas críticas. Passou por algumas modificações desde sua primeira exibição e chega oficialmente aos cinemas no próximo dia 23 - “hoje, talvez, eu fizesse até outro filme”.

Dia de Preto consegue ambientar a história de um escravo nos dias de hoje e falar claramente de preconceito sem cair nos clichês que são vistos todos os dias na sociedade. Com bom humor, o protagonista nos apresenta “as verdades sobre a liberdade” e faz refletir sobre o que realmente é ser livre, não só do ponto de vista racial.  Dia de Preto é, acima de tudo, um filme diferente, que merece muita atenção. Vale como opção para quem quer uma alternativa para os blockbusters ou para as diversas comédias nacionais com elencos estelares que estão em circuito. Basta torcer para que o filme cumpra com seu potencial e não passe despercebido.

Por Igor Pinheiro

Nota: 8


Ficha Técnica

Dia de Preto85 minutos
Brasil – 2011
Direção: Marcos Felipe, Macial Renato e Daniel Mattos
Elenco: Marcelo Batista, Vanessa Galvão, Guilherme Almeida, Paulo Abreu e Ricardo Bonaverti

Estreia: 23/11




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