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Entrevista "O Som ao Redor"


O diretor Kleber Mendonça Filho e parte da equipe que realizou O Som ao Redor participaram do Cine Encontro no domingo, cinco de outubro, no Palácio do Festival, Cais do Porto, no Rio de Janeiro. Mediado pelo crítico Luiz Carlos Merten, do Estado de São Paulo, o debate contou com a participação de cerca de três dezenas de pessoas, entre jornalistas, críticos e público geral, recém-saído de uma sessão do filme. 

Feliz com a recepção a seu primeiro longa de ficção, Mendonça Filho contou que a realização de O Som ao Redor aconteceu muito pela cobrança que recebia, já que havia feito vários curtas de êxito, como Eletrodoméstica e Recife Frio. Houve a coincidência de surgirem editais de incentivo à produção audiovisual, inclusive do governo do Estado de Pernambuco. 

O diretor pernambucano falou sobre a concepção do roteiro, montado a partir da observação do cotidiano da classe média no Recife - onde se passa O Som ao Redor, ambiente que conhece bem. Afirmou que não fez nenhum esforço deliberado para criar tensão, mas concordou que muitos espectadores percebiam isso no desenrolar da história. “Talvez isso tenha ocorrido pela mudança de enquadramento, diferente do que geralmente se espera e se vê nesse tipo de produção.” 

O fato de contar várias histórias e, talvez por isso mesmo, nenhuma em particular, foi uma decisão do diretor desde o início. Ele disse que “não queria fazer realismo social pura e simplesmente”; queria mostrar mais do que isso, e a forma foi apresentar vários segmentos que se entrelaçam de maneiras menos óbvias. 

Sua própria vivência e de seus colaboradores, todos da classe média recifense, como os personagens do filme, influenciaram na realização. A verticalização da cidade, fenômeno observados em muitas capitais brasileiras, e as mudanças nas relações humanas decorrentes disso, foram elementos que ele quis ressaltar na trama. A inclusão de um engenho de açúcar, segundo ele, diz respeito a uma realidade típica da cultura local, onde famílias antes poderosas mantêm relações ainda quase coloniais com seus empregados e subalternos. 

Indagado sobre suas influências, Mendonça afirmou que são várias, mas citou John Carpenter, conhecido por filmes de terror e que tem uma retrospectiva nessa edição do festival, como uma delas. Afirmou, porém, que muitas pessoas apontam detalhes em suas produções que remetem a outros realizadores, muitos dos quais ele acha que, no final, fazem sentido. 

O bom momento do cinema produzido em Pernambuco também foi festejado pelo diretor, que assinalou a colaboração entre os profissionais daquele estado. O longa, que custou R$ 1,8 milhão, já tem distribuição garantida para Alemanha, França, Polônia e diversos outros países. A estreia nacional está prevista para janeiro de 2013.



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