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Um documentário que usa a situação crítica do trânsito paulistano para falar de questões que dizem respeito ao país inteiro. Um time de especialistas de diversas áreas, além de políticos, jornalistas e civis vítimas do trânsito, dão seus depoimentos que invariavelmente condenam a situação gravíssima do transito no Brasil, em especial na cidade de São Paulo, e apontam algumas soluções para o caos atual. 

Mártires do trânsito paulistano impõem uma reflexão em "Luto em Luta" 


Poster do filme "Luto em Luta"
O documentário é dividido em três capítulos, mas o que pontua melhor o avanço do filme são alguns acidentes recentes que ganharam atenção do público através da mídia, como o atropelamento do pedestre Vitor Gurman em Julho de 2011 por um SUV, que foi flagrado por câmeras de segurança da Rua Natingui, e o atropelamento da ciclista Juliana Dias por um ônibus em março desse ano, na avenida Paulista. 

A abordagem de assuntos começa de forma abrangente, falando do individualismo moderno, das políticas públicas que historicamente privilegiaram os automóveis, entre outras questões, mas a partir da metade do filme o discurso se volta só para a questão do álcool no volante. Nesse momento, conhecemos a história de Rafael Baltresca, que perdeu a mãe e a irmã em um acidente causado por um motorista alcoolizado, e fundou o movimento Não Foi Acidente. 

O Não Foi Acidente luta pelo enrijecimento das punições - que praticamente não existem - para quem é flagrado dirigindo sob o efeito de álcool. Até mesmo os motoristas que matam pessoas no trânsito por estarem embriagadas costumam sair impunes com a forma atual da lei. O movimento precisa alcançar 1,3 milhão de assinaturas para exigir mudanças, e qualquer pessoa pode assinar acessando o site www.naofoiacidente.org/site/assine/ 

A culpa é de todos 


A sequencia mais interessante do filme é quando um especialista em trânsito vai com a equipe de filmagens a algumas ruas de São Paulo, e começa a flagrar uma quantidade praticamente ininterrupta de pequenas infrações cometidas pelos motoristas: não uso da seta em conversões, não uso do cinto de segurança, falar ao celular ao dirigir, entre outras, mostrando um problema que extrapola em muito o trânsito: o enorme individualismo vivido nas grandes cidades. 

Uma das coisas mais legais dessa mesma sequencia, de longe a melhor parte do filme, é que ela não se restringe a apontar os erros dos cidadãos comuns, mas igualmente do poder público. A equipe também flagra como o transito é pensado e articulado quase exclusivamente para os carros, com prejuízo enorme para pedestres, ciclistas, e até motoqueiros. 

As cenas de violência no trânsito exibidas no filme não são muito explicitas - violência no trânsito que quer dizer acidentes, e não brigas entre motoristas. Mesmo assim, o filme tem um clima bem triste, fazendo jus a palavra Luto do título. Em determinado momento o documentário fica recheado de depoimentos de quem perdeu amigos e familiares no trânsito. Pessoas que precisaram passar por uma grande perda para se dar conta da ameaça que o trânsito brasileiro é hoje.

Por Lucas Siqueira Cesar
Nota 7




Ficha Técnica

Luto em Luta - 72 min.
Brasil – 2012
Direção: Pedro Serrano
Roteiro: Pedro Serrano

Estreia: 21/09



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