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Eduardo Moscovis, Vicente Amorim, Fernando Morais e David França Mendes, "Corações Sujos"
Com tudo para fazer bela carreira nos cinemas brasileiros, Corações Sujos, novo filme de Vicente Amorim (O caminho das nuvens, O homem bom), tem sido aguardado com ansiedade. Para falar sobre o lançamento, o diretor - ao lado do ator Eduardo Moscovis, do roteirista David França Mendes e do escritor Fernando Morais, concedeu uma entrevista coletiva no dia 7 de agosto, em um hotel no Leblon, no Rio de Janeiro. 

Com estreia marcada para o dia 17 de agosto, o filme é baseado no livro de Fernando Morais, e conta a história da Shindo Renmei, ou “Liga do Caminho dos Súditos”, grupo de imigrantes japoneses no interior de São Paulo que não acreditavam na derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial e perseguiam aqueles que aceitavam a notícia, chamados por isso de “corações sujos”; daí o título do livro e do filme. 

Adaptação aprovada pelo escritor 


Elenco quase todo formado por ótimos atores japoneses (incluindo Tsuyoshi Ihara, de Cartas de Iwo JIma, de Clint Eastwood), a trama dramática e pouco conhecida e os diálogos na língua oriental dão um sabor especial à produção. Responsável pela versão literária, o celebrado escritor Fernando Morais, autor de Olga, Chatô, o rei do Brasil e Os Últimos Soldados da Guerra Fria, entre outros, não só aprovou a adaptação como disse que se emocionou. 

Morais contou que se deparou com a história por acaso, quando fazia pesquisas para o Chatô, o rei do Brasil, biografia de Assis Chateaubriand. O escritor disse que o maior desafio foi conseguir informações da colônia japonesa: “Ninguém queria falar, eles tinham vergonha desse episódio e alegavam não falar português.” Depois de três anos e muitas idas à região de Marília, no oeste de São Paulo, Morais publicou o livro em 2000. 

Dificuldades também encontradas por David França Mendes, que dedicou outro ano e meio à elaboração do roteiro. Ele ressalta, no entanto, que, embora baseado numa história real, seu trabalho é ficcional, o que lhe permitiu incluir uma história de amor na trama, envolvendo o personagem de Ihara, que faz Takahashi, fotógrafo casado com Miyuki (Takako Tokiwa), uma professora primária. 

 Segundo Eduardo Moscovis, as barreiras culturais ajudaram na composição do seu personagem, o subdelegado brasileiro que se vê perdido em meio a valores e costumes que ele não entende, mas respeita. “Meu papel é pequeno, mas importante porque mostra outra visão, diferente da dos japoneses e também dos brasileiros que ficaram contra eles.” 

Para Vicente Amorim, a escalação do elenco japonês foi o maior problema. Com orçamento de R$ 7,4 milhões, considerado de porte médio, o diretor não teve a possibilidade de passar longas temporadas no Japão escolhendo atores. A solução foi fazer entrevistas e até testes pela internet, auxiliado por um ator e diretor local. “O elenco tinha que ser japonês porque os personagens eram complexos, cheios de nuances que só os atores japoneses poderiam entender e passar.” 

Boa receptividade no Japão 

A escalação de atores conhecidos e respeitados no Japão também facilitaria o lançamento e o êxito do filme naquele país, segundo Amorim. A estratégia parece ter funcionado: Corações Sujos já foi lançado na capital, Tóquio, e em outras cidades, com boas críticas. O diretor acredita que a repercussão positiva não é resultado só da curiosidade natural por se tratar de um tema ligado ao país. “O filme foi bem feito, com excelentes atores e tem uma história emocionante, que toca as pessoas.” 

A experiência foi tão boa que deverá ser repetida: Fernando Morais anunciou um novo projeto com Vicente, um argumento para um filme sobre a Operação Peter Pan, planejada nos anos 60 pela CIA e a Igreja Católica para retirar 14 mil crianças de Cuba, e levá-las para orfanatos nos Estados Unidos. A produção ainda não tem data para ser lançada. 



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