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Um Divã Para Dois, que estreou no dia 17 de agosto, é um filme tocante na forma como trata personagens da terceira idade tentando resolver seus problemas de relacionamento, desgastados ao longo dos anos pela convivência e rotina. 

Trama retrata desgaste de relacionamentos na terceira idade 


Na trama, Kay (Meryl Streep) se sente cansada do jeito que seu marido, Arnold (Tommy Lee Jones) se comporta em relação ao seu longo casamento de 32 anos. Com filhos já crescidos e uma situação financeira razoável, o casal vive em um marasmo, sempre com a mesma rotina de café da manhã, trabalho, jantar e programas de golfe à noite. Um fator, porém, está incomodando muito: a falta de sexo, já que o casal nem se toca mais e até dorme em quartos separados, fazendo Kay marcar sessões de terapia com o Dr. Feld (Steve Carrel), um médico especialista em recuperar casais, a fim de resgatar a antiga chama que existia no seu matrimônio. 

Dirigido sem ousadia, mas de forma correta por David Frankel, diretor dos muito bons O diabo Veste Prada e Marley e Eu, o público pode ter uma surpresa se for aos cinemas esperando um filme ágil e engraçado, como foram os trabalhos anteriores do realizador. Pelo contrário, nesse filme temos uma dramédia bem lenta e repetitiva, assim como a vida do casal de protagonistas. 

Dois fatores devem ser notados sobre a direção do filme: o bom trabalho de Frankel nas mise-en-scène dos personagens, principalmente na cena que o casal está se consultando com o Dr. Feld, percebemos a distância que Kay e Arnold mantêm um do outro na vida afetiva pelo modo como sentam cada um, em um canto do sofá. Do mesmo modo, à medida em que começam a se aproximar, passam a se sentar mais próximos, em um movimento gradual a evolução de seus sentimentos. 

O outro fator são as músicas escolhidas para retratar os momentos em que os personagens estão se encontrando; o destaque vai para Let’s Stay Together de Al Green, que toca na hora em que as coisas parecem que vão dar certo, mas infelizmente não funciona. 

Atuação é o destaque de "Um Divã para dois"


Estrelado por dois ótimos atores, o filme tem como destaque Tommy Lee Jones, que encarna Arnold como um contador bastante mal humorado (o que combina com a cara do ator), sempre ranzinza e reclamando de qualquer coisa que possa fugir de sua sagrada rotina. Esse aspecto é realçado pelo figurino de Arnold, que usa sempre roupas escuras e de um estilo super-formal. Até nos figurinos os personagens estão distantes, já que fazendo um contraponto ao seu marido, Kay está sempre usando roupas coloridas com estampas de flores, geralmente cor de rosa. 

Maryl Streep, atriz recordista em indicações ao Oscar, representa em Um Divã Para Dois a americana de classe média sem expectativas, já que depois de mais de 30 anos de casados e com filhos já criados, se vê sem alternativas, tendo alcançado suas metas e, ao contrário do marido, que parece satisfeito com a vida que leva, ela decide acabar com as frustrações e apimentar o casamento, sabendo que se não o fizer será o fim para os dois. Já Steve Carrel aceita seu papel de coadjuvante na história e aparece surpreendentemente calmo e relaxado interpretando um Dr. Feld com uma incrível paciência, fazendo ótimas perguntas ao casal, que muito dos espectadores irão se perguntar a si mesmos. 

Voltado claramente para um público mais maduro, Um Divã Para Dois, agrada ao trazer uma trama tratada com sensibilidade e diversão, alternando esses momentos durante o longa, e nos mostrando que casais sempre podem reencontrar aquela chama que existia no inicio do relacionamento.

Por Bruno Medeiros
Nota 7,5





Ficha Técnica

Um Divã para Dois (Hope Springs) - 100 min.
Direção: David Frankel
Roteiro: Vanessa Taylor
Elenco: Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell, Susan Misner, Brett Rice, Elisabeth Shue, Mimi Rogers

Estreia: 24/08


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