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Cena-do-filme-O-Monge
O Monge, de Dominik Moll, é um suspense que joga com a fé e a relação de religiosos com a tentação e o pecado. Um filme que mostra os limites da virtude de um monge da Madri católica do século XVII. Para isso, faz-se uso de efeitos sonoros fortes, contendo algumas composições com tom wagneriano. As fotografias, especialmente de regiões áridas, são bonitas e bem cuidadas. As linhas gerais do roteiro são interessantes e ele é executado bem seca e objetivamente, mesmo que algumas vezes as passagens de um momento a outro até parecem um pouco abruptas. De qualquer forma, é um bom filme e também pode agradar a um público maior, especialmente daqueles que estão acostumados com filmes de ação ou hollywoodianos.

As tramas do pecado em "O Monge"

O Monge traz Vincent Cassel no papel do irmão Ambrosio, que foi abandonado quando bebê nas portas de um mosteiro e criado pelos monges. Ele cresce e torna-se um capuchinho de fé, virtude e rigor muito elevados, atraindo grande número de fiéis para assistir aos seus sermões. No entanto, sua vida toma novo rumo com a chegada de um noviço, pondo sua fé e integridade à prova.

Poster-do-filme-O-Monge
Aqui, todo pecado é retratado como sendo derivado da mulher. Na trama, são quatro as mulheres que enredam Anselmo: a irmã Agnès (Roxane Duran), Valerio (Déborah François), Antonia (Joséphine Japy), Elvire (Catherine Mouchet). Assim, a principal e grande tentação em O Monge é a da carne. Cada uma dessas mulheres tem uma função específica no enredo do filme, nãohavendo sobreposição ou conflito de papéis. Característica que também se verifica com relação aos demais personagens.

O roteiro praticamente não contém pontos de descanso ou distração, o que dáum ritmo mais acelerado ao filme e também um clima de objetividade,evidenciando uma trama com um único clímax.

Os limites da virtude

Perguntado sobre quando a mentira é admitida, Anselmo afirma que se pode mentir quando o mal causado pela verdade é maior que aquele causado por ela. Essa postura pode ser a chave para o caráter do monge e o ponto a partir do qual os limites de sua virtude seriam testados. Quais questionamentos morais podem ser feitos acerca da virtude de Anselmo? Quais os seus limites? Qual o grau de dificuldade para corromper um homem virtuoso? Anselmo é um monge consciente de sua imagem, atento ao poder de suas palavras e influência sobre os outros. No púlpito, age como um ator, avaliando e questionando sua própria performance. O que ele é capaz de fazer para preservar sua imagem? O que ele sabe sobre a verdade? Tendo isto em mente, muitos de seus atos tornam-se mais compreensíveis.

O Monge trabalha com o mal materializado nas pessoas,afastando o recurso constante a eventos sobrenaturais. Assim, são poucas as situações que se afastam da verossimilhança. Mesmo assim, as cenas são sombrias o suficiente para denunciar a sensação do mal que se afirma estar presente e as encenações sobrenaturais são mais em benefício da história do que da exibição de efeitos especiais enquanto tais.

Nota: 7.5







Ficha Técnica

O Monge (Le Moine) - 101 min
Espanha/França
Direção e roteiro: Dominik Moll, baseado em romance de Matthew Lewis
Elenco: Vincent Cassel, Déborah François, Joséphine Japy, Sergi López, Roxane Duran, Catherine Mouchet

Em cartaz (15 a 23 de agosto no Festival Varilux de Cinema Francês



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