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Vencedor do Cesar 2012 de melhor animação, O Gato Do Rabino é o segundo filme de Joann Sfar, que recebeu o Cesar 2011 como diretor estreante pelo longa Gainsbourg – O Homem Que Amava As Mulheres. Este novo trabalho, com roteiro baseado em HQ homônima do próprio Sfar, se desenvolve ao ritmo da música Klezmer de Olivier Daviaud com o humor e a emotividade que lhe são característicos. Mesmo tendo reconhecido outras fontes de inspiração, há uma semelhança deste desenho animado com os filmes de Radu Mihaileanu, como Trem Da Vida e O Concerto. Há o diálogo de muitas diferenças religiosas, culturais e uma vivência não apenas de tolerância, mas de respeito e abertura para interpretações mais inclusivas dos livros sagrados. Apesar disso,não é um filme doutrinário.

A comunhão da diversidade

Na Argélia, o rabino Abraham Sfar (Maurice Benichou) vive com sua filha Zlabya (Hafsia Herzi), um papagaio tagarela e um gato (François Morel) como outro qualquer, independente, criando bagunça na rua, acompanhando o rabino e aninhando-se no colo de sua dona.

Poster-do-filme-O-Gato-do-Rabino
Há dois momentos principais de ação no filme. O primeiro ocorre quando o gato come o papagaio e começa a falar, desgostando o rabino porque a primeira coisa que faz é contar uma mentira e insistir nela. Surge, então, como uma ameaça para a filha, já que está apaixonado por ela e aparece como uma má influência. Isso faz com que o pai separe os dois. Sabendo que apenas um bom judeu poderia se aproximar de Zlabya, o gato pede para ser convertido ao judaísmo. Ao contrário do que poderia parecer, os ensinamentos não são doutrinários, já que o gato contrapõe suas ideias ao conhecimento que o rabino Sfar lhe transmite.

Outro momento importante de convivência e respeito pela diversidade religiosa surge quando o rabino Sfar parte para sua viagem anual para encontrar um parente querido e grande amigo, o xeique Mohammed Sfar (Mohamed Fellag). O xeique Sfar é um amante de música e aprecia os ritmos de outros povos, tendo uma postura compreensiva e conciliatória. Diante dos conflitos entre Israel e Palestina, este filme traz um pouco de esperança para acender os desejos de reconciliação entre os dois povos.

O segundo momento de ação acontece quando um jovem pintor russo (Sava Lolov) entra na história. Novamente, temos uma mostra de respeito cultural e religioso em uma espécie de contraposição de uma postura mais “radical e fundamentalista” e uma mais “progressista e compreensiva”. A diversidade é tão intrínseca em O Gato Do Rabino, que a equipe reunida para fazer as animações era também multicultural.

A busca da terra prometida em "O Gato do Rabino"

Cena-do-filme-O-Gato-do-Rabino
O pintor russo está em busca de uma Jerusalém africana, iniciando uma viagem ao estilo daquelas de Radu Mihaileanu citadas acima. Com diferença da diversidade da tripulação, mas mantém a ideologia de buscar uma cidade prometida, neste caso, na qual não há preconceito e todos vivem em comunhão. Eles partem em um veículo com uma bandeira na qual a águia bicéfala russa leva a estrela judaica no peito.

A animação ficou boa, especialmente pelas ilustrações de cenário que fazem muito uso de hachuras. É uma animação bastante agradável especialmente para adultos, mas às vezes parece desacelerar um pouco.

Nota: 8






  Ficha Técnica

O Gato do Rabino (Le Chat du Rabbin) - 100 min. 
França - 2011
Direção: Antoine DelesvauxJoann Sfar
Roteiro: Joann Sfar
Vozes: Mathieu AmalricFrançois Damiens, Hafsia Herzi 

Estreia 24/08






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