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Cena do filme "O Exercício do Poder"
Segundo filme da trilogia do diretor e roteirista Pierre Schoeller, O Exercício do Poder esteve na seleção Un Certain Regard no Festival de Cannes 2011 e recebeu o Cesar de melhor roteiro original, melhor ator coadjuvante para Michel Blanc e melhor som. É um longa que aborda a situação política atual, com foco no personagem principal, mas retratando bem os outros personagens na medida em que estão envolvidos com o protagonista. O ritmo do filme é bastante acelerado e a premiação foi merecida. Por isso, é ideal para ser visto na tela grande do cinema, especialmente em uma sala com um bom sistema sonoro.

O exercício do poder em "O Exercício do Poder"


O título do filme é literal. Schoeller dedicou 115 minutos para representar a “rotina” de um agente do estado, neste caso, o ministro dos transportes, Bertrand Saint-Jean (Olivier Gourmet) em uma luta infindável para aprimorar sua imagem, cumprir as funções que lhe são atribuídas, lidar com situações desfavoráveis para a popularidade do governo, manter uma vida familiar. Para isso, Bertrand conta com seu conselheiro Gilles (Michel Blanc) e sua assessora de imagem Pauline (Zabou Breitman). 

Schoeller expõe as vaidades, os egos, as estratégias para se manter no poder e para aumentá-lo. Ele mostra a força que o poder exerce entre esses indivíduos, as distâncias que separam os políticos do povo do qual deveriam cuidar, tudo regido por uma lógica mais para consistente que clássica. Nesse cenário, Bertrand surge como um homem solitário, construindo e defendendo sua imagem, mas o poder o fará ainda mais sozinho.

Poster do filme "O Exercício do Poder"
Eles são tigres na escuridão, como o próprio Bertrand afirma. Feras que não veem tudo o que está se passando ao seu redor, mas têm uma força mortal e estão à caça. Na trama de Schoeller, as convicções, amizades e planos são vulneráveis ao poder mais dominante. Uma hierarquia em forma de pirâmide. O roteiro é muito rico e está aberto a um grande leque de abordagens e interpretações, fazendo uso também de cenas alegóricas.

Paisagem sonora 


O Exercício do Poder recebeu o Cesar 2011 de melhor som merecidamente. Philippe Schoeller fez um trabalho de qualidade na composição das músicas, dando um colorido muito rico ao filme sem que houvesse uma ênfase exagerada sobre a música em detrimento dos outros elementos cinematográficos. A sonoridade construída por Philippe aprofunda o campo de significados das cenas criando dimensões extras sem as quais o filme se tornaria menos expressivo. Vale a pena aguçar os ouvidos e receber as mensagens transmitidas pela trilha.

Ainda com relação ao aspecto sonoro, em alguns momentos os espectadores podem ser surpreendidos pelo realismo e intensidade que imprime às cenas, ressaltando o máximo que a imagem e o som podem transmitir sem haver saturação deste em relação àquela. Esse momento surge, principalmente, durante a cena de um acidente de carro, quando a sonoridade se agiganta mas, diga-me quem discordar, se mantém em equilíbrio com o visual da obra.

Nota: 8.5 





Ficha Técnica 

O Exercício do Poder (L’exercice de l’État) -115 min
França, Bélgica – 2011 
Direção e roteiro: Pierre Schoeller 
Elenco: Olivier Gourmet, Michel Blanc, Zabou Breitman, Arly Jover 
Estreia: 10/08

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