0


Walter Salles e Alice Braga, diretor e atriz de Na Estrada, filme que estreia nesta sexta-feira (13/07) em circuito nacional, realizaram uma entrevista coletiva, em um hotel no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, para falarem da adaptação de um dos livros mais emblemáticos do século passado, On The Road, escrito pro Jack Kerouac. Considerado por muitos estudiosos do movimento Beatnik como a bíblia de uma literatura transgressora, a obra de Kerouac marcou uma geração inteira depois do lançamento, em 1957, e as posteriores, caracterizando o movimento da contracultura.

O diretor de Central do Brasil, sempre gentil e atencioso com todos os jornalistas de diversos veículos de diferentes Estados brasileiros presentes na coletiva, comentou detalhes do seu novo filme, a dificuldade de fazê-lo, em arranjar locações, em cortar as muitas cenas realizadas, e também, como apareceu o nome de Kristen Stewart para fazer parte do casting. E aproveitou para rebater, ainda que em seu jeito sereno e elegante, as críticas desfavoráveis que o longa recebeu durante sua exibição no último Festival de Cannes, no qual concorria ao premio máximo, a Palma de Ouro. Além disso, aproveitou para elogiar todo elenco por sua dedicação e envolvimento passional com o processo fílmico, em especial, Alice Braga, que por sua vez, foi recíproca aos elogios do realizador. Confira crítica do filme Na Estrada.

Walter Salles e Alice Braga falam sobre "Na Estrada"

Walter Salles revela que "Na Estrada" seria um documentário


Salles afirmou que inicialmente a adaptação do livro de Jack Keroauc ao cinema seria um documentário, ideia matutada em 2004, logo após seu outro Road Movie, Diários de Motocicleta, e que foi em encorpada em 2010, com a entrada da produtora francesa MK2 e após o cineasta carioca ter lido inúmeras vezes a obra de Kerouac e escrito aproximadamente mais de 40 roteiros para o longa, pesquisado bastante e conhecido pessoalmente os mitos da geração Beatnik.

Cineasta rebate críticas estrangeiras citando Antonioni e diz captar o espírito do livro de Jack Kerouac


A análise adversa a Na Estrada se deve, de acordo com os críticos, pelo fato de que o filme não teve foco algum e atira para todos os lados. Para rebater, Walter Salles citou o filme de Michelangelo Antonioni, A Aventura, que no festival do Croisette, de 1960, recebeu uma vaia sonora. No entanto, atualmente, o mesmo longa está na lista dos 20 maiores filmes de especialistas do Cinema. Salles acredita que “uma obra não deve ser avaliada com imediatismo, deve-se esperar certo tempo para depois, enfim, julgá-la”.

O diretor segue o contraponto afirmando que essa era justamente a intenção e o espírito do livro de Kerouac, por ser tratar de uma juventude, com média de 18 anos de idade, ávida pela busca de liberdade à flor da pele, com muita intensidade, para romper os tabus vigentes da época do pós-guerra e da iminência de uma Guerra Fria. Era mais que natural estarem perdidos, sem rumo e procurarem uma ideologia de vida, ainda mais quando se atravessa a fase jovem para a vida adulta.

Walter Salles fala sobre filme "Na Estrada"

Filme com bastantes locações, Salles diz que editar "Na Estrada" foi a parte mais dolorosa


As dificuldades encontradas ao longo de todo processo fílmico, que durou oito anos para ser concretizado, foram as locações. Por se tratar de um Road Movie, o longa-metragem exigia isso, principalmente, quando uma locação dentro do México teve que ser cancelada por risco de alguma guerra implodir durante as filmagens por conta do cartel mexicano. Com isso, mais desgaste com viagens e atrasos no calendário.

Sobre a pós-produção, Salles declara que foi a parte mais penosa, mais que a questão da locação, pois esta, para ele, é de certa forma algo com o qual todos estavam muito envolvidos, por serem apaixonados em fazer cinema. Editar o filme, que possui muitos personagens, e com eles mais tramas, foi doloroso e alguns tiveram que ser excluídos, pois a película, que para ele já ficou longa (são duas horas e 20 minutos de duração), não poderia se estender mais, pois não seria atraente ao público, que se afastaria da bilheteria. A quem fosse contra os cortes feitos, ele adiantou que o DVD incluirá cenas extras, excluídas da versão oficial.

Diretor brasileiro conta como escolheu Kristen Stewart para o filme


A escolha por Kristen Stewart (da Saga Crepúsculo) aconteceu sem exigências externas. Por indicação, Salles conferiu o papel dela no filme dirigido pelo ator Sean Penn, Na Natureza Selvagem, e, quando a viu, encontrou na jovem atriz uma sensibilidade, o algo não dito e enigmático que se encaixaria perfeitamente para o papel de Marylou. Depois, ao se encontrarem pessoalmente, o diretor carioca não teve dúvidas quando Kristen afirmou que On The Road é o seu livro de cabeceira. Ademais, Salles acrescentou que ela é uma artista focada, inteligente e busca por trabalhos mais pessoais.

Por fim, o realizador fez um convite a embarcarem na leitura do livro, e, é claro, no filme. E para aqueles que já o leram, que voltem a desfrutar da maravilhosa obra de kerouac, e elogia o trabalho do tradutor Eduardo Bueno, pois somente em 1984, quando o país atravessava o período de redemocratização, o livro de Kerouac ganhou uma versão traduzida à língua portuguesa. Walter Salles por enquanto não pensa no seu próximo longa-metragem. O Brasil é o quarto país a estrear On The Road (no original) e somente em dezembro o filme estreia nos Estados Unidos, isto é, a estrada está apenas começando para Na Estrada



O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top