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Cena do filme argentino "A Velha dos Fundos"
Solidão, monotonia, apatia, tristeza, carência... Esses são alguns elementos que denotam a história de um jovem estudante de medicina, Marcelo (Martín Piroyansky, de Meu Primeiro Casamento), e a velha ranzinza Rosa (Adriana Aizemberg). Sentimentos reforçados a todo instante com a câmera parada, sempre interatuando entre o plano próximo e o fechado, executada pelo roteirista, produtor e diretor argentino Pablo José Meza (de Buenos Aires 100 Kilômetros) que em seu segundo filme evolui quanto à linguagem cinematográfica e roteiro.

Uma prosa entre um jovem e velha é o tema abordado com maestria pelo diretor Pablo José Meza


Seu filme é sisudo. Rosa e Marcelo passam toda projeção sem demonstrar sequer um esboço de sorriso, nem mesmo quando o jovem estudante marca um encontro com a garota de sua faculdade. São tantos os seus problemas... Marcelo, que veio do interior da Argentina, deixando a fazenda onde seus pais passam também por dificuldade financeira, perde o emprego e não tem mais como se sustentar em seu simples apartamento. De malas prontas, decidido a voltar para o campo e largar a medicina, o elevador para de funcionar. Nele também está a sua vizinha, a velha que dá nome ao título, que, muito carente, pede apenas companhia para dar abrigo ao garoto, fazendo deste momento a construção do argumento e o ponto de virada da trama.

Cartaz brasileiro do filme argentino "A Velha dos Fundos"

Narrativa vagarosa predomina no filme argentino "A Velha dos Fundos"


Com a mesma forma narrativa que começou, o longa prossegue; ou seja, na cadência e sutileza dos dois personagens principais, os quais, por serem de faixas etárias distintas, e descrentes em relação à vida, vivem de birra um com o outro. Para ter uma ideia de quão o filme é trivial, mas não menos especial na abordagem adotada por Pablo José, Rosa vai ao mercadinho perto da sua casa, a câmera dialoga entre o caixa chinês (cuja pessoa é detestada pela velha), que passa a mercadoria dos clientes dizendo o preço final em plano próximo, e o olhar da velha amargurada em corte fechado. A banalidade da cena acontece aproximadamente durante cinco minutos.

É por esse ritmo que o cineasta argentino, vencedor do Festival de Gramado de 2010 por melhor roteiro e melhor ator para Martín Piroyansky, percorre, lembrando uma prosa moderna de pessoas comuns, tema que o cinema argentino sabe fazer com maestria. Com apenas a ressalva do título injusto que o longa recebe, afinal o jovem é tão protagonista, se não mais, que a velha, o filme é convidativo aos que gostam do cinema de pausas, no qual o não dito diz mais que mil palavras.

Nota: 8 





Ficha Técnica

A Velha dos Fundos (La Vieja de Atrás) – 115 min
Argentina, Brasil – 2010
Direção e Roteiro: Pablo José Meza
Elenco: Adriana Aizemberg, Martín Piroyansky, Brenda Gandini, Marina Glezer, Atilio Pozzobon

Estreia: 13 de julho 

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