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John C. Reilly em cena do filme "Os Acompanhantes"
Shari Springer Berman e Robert Pulcini são responsáveis por um dos filmes em que mais se vê a inserção da vida real dentro do cinema. A dupla dirigiu e roteirizou Paul Giamatti e Hope Davis no drama Anti-Herói Americano, no qual Giamatti vive um balconista de hospital fadado à rotina até seus últimos dias. Quem passeia feliz dentro de sua própria rotina pessoal e profissional? Ninguém.

A busca pela curva, pela saída mais próxima da rotina, é o que cada um de nós deseja um dia. Alguns com menos vontade do que outros. A ferramenta primordial dessa guinada é o autoconhecimento e a idealização dos projetos pessoais, em outras palavras: todo mundo procura saber quem realmente é. E ligando o primeiro sucesso da dupla a Os Acompanhantes, percebemos o quanto a mão dos diretores vai à busca de mostrar o drama e as descobertas humanas.

Paul Dano, um dos melhores atores da nova geração, é um dos destaques de "Os Acompanhantes"


Na primeira sequência do filme, vemos Paul Dano (de Cowboys & Aliens) recepcionando uma dama belíssima. O clima de glamour é criado e tudo naquela tomada gira em torno da moça misteriosa. Louis Ives, personagem de Dano, se aproxima, orgulhoso, e, ao levantar o véu, se depara com o próprio rosto. A cena corta e descobrimos que é um pesadelo de Ives. Em seguida somos apresentados a ele, cheio de métodos, resguardado e que se encanta com uma lingerie jogada ao chão pelas alunas da escola em que trabalha. Ele se encanta mesmo, chegando a usar a peça.

Cartaz brasileiro do filme "Os Acompanhantes"Acompanhantes
Diante do episódio, a vida de Louis Ives muda completamente, tendo de se mudar para Manhattan. Lá encontra Henry Harrison, um dos personagens mais hilários da carreira de Kevin Kline (de Conspiração Americana). De um lado Louis Ives, jovem dramaturgo com dúvidas sobre sua sexualidade, e do outro Henry Harrison, que tem certeza que é um grande dramaturgo e que vive bem no alto da sociedade nova-iorquina. Dois personagens que se encontram cada um com suas particularidades, mas com uma certeza: a incerteza sobre suas personalidades.

Shari Springer Berman e Robert Pulcini demonstram personalidade em seu novo filme


É aí que vemos o dedo da dupla de diretores. Ao contrário do filme carregado com Paul Giamatti, em Os Acompanhantes tudo é tratado através de cenas inacreditavelmente escrachadas, mas muito bem realizadas graças ao belo desempenho de Dano e Kline. Esta obra não se trata de um filme de grandes responsabilidades, apesar do caráter humanista de ampliar a discussão sobre autoconhecimento e conflitos internos dos seus personagens.

A linha cômica perdura por boa parte do longa, com destaque para o personagem de John C. Reilly (de Deus da Carnificina), que vem impecável na pele de Gershon Gruen. Não aguarde um filme grandioso, pois a proposta dos dois diretores é refletir um pouco e que, no fim, após a estressante busca de saber quem você é de verdade, nada será maior do que olhar para trás e dar boas risadas. Filme leve e muito simpático.

Nota: 7 





Ficha Técnica

Os Acompanhantes (The Extra Man) – 108 min
EUA, França – 2010
Direção: Shari Springer Berman, Robert Pulcini
Roteiro: Robert Pulcini, Jonathan Ames, Shari Springer Berman – Baseado no romance de Jonathan Ames
Elenco: Kevin Kline, Paul Dano, John C. Reilly, Marian Seldes, Celia Weston, Patti D'Arbanville, Dan Hedaya, Jason Butler Harner, Alex Burns, Katie Holmes

Estreia: 6 de julho 

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