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Na Estrada, o novo filme de Walter Salles (de Central do Brasil) teve o árduo desafio de adaptar o livro On The Road de Jack Kerouac. A obra, responsável por estremecer e inquietar muitas gerações desde 1957, quando foi lançado, fizera personalidades como Bob Dylan e Jim Morrison (The Doors) saírem de casa e também influenciar o próprio diretor e também o cineasta Francis Ford Coppola (de Tetro), que desde a década de 1980 sonhava em realizar um filme sobre as aventuras de Sal Paradise, Dean Moriarty e Marylou, tarefa finalmente concluída e que ficou a cargo de seu filho, Roman Coppolla, responsável pela produção do longa.

Cena do novo filme de Walter Salles, "Na Estrada"
Ritmada pela música Jazz, cafeína, benzedrina, sexo, álcool e maconha, a história desses três jovens personagens, e todos os demais envolvidos diretamente ou indiretamente com eles, traz um panorama norte-americano da jovem geração do movimento contracultural, batizada de Beatnik, no período pós-guerra e da iminente guerra fria. Uma juventude agitada e ansiosa, louca para experimentar, louca para falar, louca para viver, como diz o personagem Sal (que é o Jack Kerouac) durante a projeção e está transcrito no livro. Confira entrevista na qual Walter Salles fala sobre Na Estrada.

"Na Estrada", com boas atuações, adapta a mesma fluidez acelerada do livro de Kerouac


É a partir desta loucura jovial que os personagens pegam a estrada em busca de uma ideologia e liberdade desenvolvida no registro biográfico de Kerouac e que no longa de Salles é bem traduzido por fotogramas, com todas as locações que se imaginava na leitura: Arizona, Virgínia, São Francisco, Louisiana, Quebéc no Canadá, Nova Orleans e Cidade do México; e também a partir do roteiro assinado, novamente como em Diário de Motocicleta, pelo próprio cineasta carioca e por Jose Rivera (de Cartas para Julieta), que faz com que On The Road ganhe uma bela adaptação para o cinema, sacando o espírito do livro com toda a sua fluidez pulsante que é a narrativa do livro.

O ritmo é rápido, muito veloz, quase sem vírgulas, como costumava escrever Kerouac. Dean Moriarty é de fato o Dean da literatura de On The Road, com seu jeito tresloucado e usurpador. A ardilosa e sonsa Marylou, e o tímido, observador e aspirante a escritor Sal Paradise, também, todos bem encarnados, respectivamente, pelo trio de atores Garreth Hedlund (de Tron – O Legado), Kristen Stewart (de Branca de Neve e o Caçador) e Sam Riley (de Control), sendo nítido o envolvimento passional deles para dar vida ao filme.

Cartaz brasileiro do novo filme de Walter Salles, "Na Estrada"

"On The Road" derrapa em alguns pormenores, mas sem nunca perder o rumo


Ao adequar a aventura para as telas, Salles preferiu mudar a cronologia do livro, e até trocar de autor a expressão conhecida – “Precisamos reduzir os custos” do livro para outros personagens, mas sem perder o rumo no qual a frase parafraseada de um discurso famoso do então presidente americano Harry S. Truman estava inserida. No entanto, o filme derrapa na voz em off de Sal, pois o relato do jovem escritor se passa alguns anos mais tarde ao desenrolar da trama, e a locução, que tinha tudo para ambientar convenientemente os pensamentos do personagem, se perde por lembrar mais um sexagenário que um jovem adulto.

O homossexualismo declarado do personagem amigo de Dean e Sal, Carlo Marx (Tom Sturridge), faz Na Estrada deslizar um pouco. Enquanto o livro sugere que entre Dean e Carlo havia uma relação mais que fraterna, o filme deixa bastante explícito, e até mesmo em uma leitura despercebida, o leitor passa batido pela abordagem sutil, ainda mais quando lê citações de Moriarty e Paradise imbuídas de preconceito ao se referir aos gays durante suas noitadas. A cena chamativa de sexo entre o personagem de Steve Buscemi e Dean reforça tal inverosimilhança; pelo contrário, na obra de Kerouac, o galanteador está sempre insaciável para traçar uma próxima garota.

Na Estrada, assim como o velho Hudson, carro pelo qual Marylou, Sal e Dean percorrem embevecidos com tudo e a todos pela costa oeste americana, não capota em nenhum momento e ainda deixa uma pergunta no ar: quem está usando quem? Old Bull Lee, papel de Viggo Mortensen (de Um Método Perigoso), apesar de pirado, foi o único a ter lucidez acerca das atitudes de Dean, criando ilusões e truques aos que estão ao seu redor, para seguir suas próprias vontades, mas Sal quer escrever, quer decolar, contar uma história, e nada melhor que seguir os passos de um personagem chamado Dean, totalmente louco, louco para falar, louco para viver e desejar tudo ao mesmo tempo agora.

Nota: 8,5 





Ficha Técnica

Na Estrada (On The Road) – 137 min
EUA, Reino Unido, França, Brasil – 2012
Direção: Walter Salles
Roteiro: Jose Rivera, Walter Salles – Baseado no livro On The Road, de Jack Kerouac
Elenco: Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Amy Adams, Viggo Mortensen, Garrett Hedlund, Sam Riley, Alice Braga, Terrence Howard, Steve Buscemi, Elisabeth Moss, Tom Sturridge

Estreia: 13 de julho

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  1. Irei conferir manhã, e estou com as expectativas nas alturas!

    http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

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  2. Acho que ñ ví o mesmo filme. Com o perdão da palavra. "puta filme chato".

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  3. Esse filme é horrível de ruim. Uma legítima porcaria. Não percam tempo e dinheiro com isso.

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  4. Maravilhoso. Não percam. Garrett Hedlund é o melhor ator de sua geração. Esquçam os fãs da Kristen Stewart odiando o filme, eles acham que Crepúculo é um film bom.

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  5. Gostei muito do filme,em especial,da atuação de Tom Sturridge,que me surpreendeu!

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  6. definitivamente o Garrett Hedlund fez o papel muito bem! Mas concordo com que colocou acima... filme chatoooooo...várias vezes me perdia e não entendia nada que falavam... alguns personagens sem sentido... vixeeee... achei MUITO ruimmmm!! péssimo!

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