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Com direção do cineasta gaúcho Carlos Gerbase, Menos que Nada se apresenta sob a forma de um enigma em torno da vida de um homem com distúrbios psicológicos. Levemente inspirado no conto do austríaco Arthur Schnitzler, O Diário de Redengonda, o filme tem roteiro assinado por Gerbase, com a colaboração de Marcelo Backes e Celso Gutfreind, e aborda universos distintos, como a arqueologia e o drama psicológico da esquizofrenia. O projeto desse longa foi possibilitado inclusive graças a um concurso da Petrobras para filmes que fizessem uso de mídias digitais. Menos que Nada aborda também elementos como a ambição, o amor e a curiosidade, mas tropeça mesmo antes de começar e acaba se desenvolvendo de forma superficial e pouco esclarecedora.

Felipe Kannenberg em cena do filme "Menos que Nada"

"Menos que Nada" tenta desvendar o mistério por trás da mente de um paciente psiquiátrico


Somos apresentados a Dante (Felipe Kannenberg) ainda em sua infância. Após a morte da mãe do protagonista, o filme avança até o momento em que Dante já é um interno de um hospital psiquiátrico em péssimas condições de manutenção e de administração. O quadro e as reações cotidianas peculiares acabam chamando a atenção de Paula (Branca Messina), uma nova residente do hospital. Interessada pessoal e profissionalmente no curioso caso do paciente, a médica começa então a investigar o passado dele para tentar fugir do diagnóstico de “caso perdido” e esbarra em personagens importantes na trama, como a amiga de infância Berenice (Maria Manoella) e a arqueologista bem sucedida René (Rosanne Mulholland).

Dante, também arqueologista e de comportamento um tanto quanto estranho, trabalhava em um emprego burocrático e levava uma vida simples, até que a descoberta acidental de uma ossada fossilizada envolvendo Berenice e René o faz mergulhar em uma sucessão de fatos que vão culminar no processo que levou à derrocata mental na qual ele se encontra nos dias atuais.

Cena do filme "Menos que Nada"

Passeando entre arqueologia e psiquiatria, filme de Carlos Gerbase não chega perto de dizer a que veio


A temática que envolve a forma como são tratadas doenças mentais, como a esquizofrenia e a psicose, certamente renderia um bom gancho para desenvolver uma história interessante. Mas mesmo nesse aspecto o filme se mantém em um nível bastante superficial e não se presta ao trabalho nem de explicar como a doença agiu no personagem principal, mostrando de forma aleatória um homem que em um dado momento era só alguém com comportamento um pouco mais atípico e em outro momento já havia se transformado em um doente mental que necessitava ser excluído do convívio social e viver sedado a base de remédios.

O filme peca em diversos momentos, como na reprodução de uma cena de um período pré-histórico onde tudo parece muito forçado e a aplicação de efeitos especiais só pioram tudo. As cenas de sexo e nudez do filme também parecem estar totalmente deslocadas e o espectador se pergunta qual a real utilidade delas ali, já que nem pela estética e nem pelo próprio enredo elas se justificam. Menos que Nada ainda lança ganchos que posteriormente não aproveita, como a relação mal desenvolvida entre Dante e a mãe.

O filme vai criando uma rede confusa de informações e levando o espectador a gerar uma expectativa por um final que justifique de forma competente o mistério todo em torno da vida de Dante e o que de fato aconteceu para culminar em sua realidade do presente. Vários fatos vão sendo lançados e toda hora novas informações que possivelmente se relacionariam são apresentadas, mas no fim das contas, a relação entre os fatos é mínima e por vezes forçada. A explicação para a história toda deixa a desejar de forma frustrante, e, além disso, a impressão que fica é a de que o filme foi interrompido de forma aleatória, sem que a história tenha se concluído – e nem ao menos de modo a deixar no ar a possibilidade de uma continuação, como é bastante comum: nesse caso é apenas uma interrupção arbitrária mesmo.

Apesar de ter uma premissa bastante promitente, o filme de Carlos Gerbase é bastante decepcionante. Apesar de ter dois ou três atores que se mostram promissores, aparentemente o roteiro não ajuda. Temos em Menos que Nada uma trama confusa que envolve esquizofrenia, arqueologia e inúmeras conexões frouxas ligando um assunto ao outro. No fim das contas, talvez a única coisa que se encaixe com perfeição no contexto geral seja o nome da obra em relação ao aproveitamento do espectador: menos que nada. 

Nota: 3 





Ficha Técnica

Menos que Nada – 105 min
Brasil – 2012
Direção: Carlos Gerbase
Roteiro: Carlos Gerbase, Marcelo Backes, Celso Gutfreind
Elenco: Felipe Kannenberg, Branca Messina, Rosanne Mullhlland, Maria Manoella, Carla Cassapo, Roberto Oliveira, Artur Pinto, Alexandre Vargas, Felipe Monaco, Elisa Volpatto, Matheus Zoltowski, Letícia Lahude

Estreia: 20 de julho 

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