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Sean Penn em cena do filme "Aqui é o Meu Lugar"
Depois de passar praticamente despercebido durante as duas décadas passadas, com exceção do ano de 2001, quando o diretor Nanni Moretti recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes pelo longa-metragem O Quarto do Filho, e a indicação de Gomorra, por Matteo Garrone, ao Oscar e Globo de Ouro de 2009, o cinema italiano que era referência na sétima arte pelas obras de Michelangelo Antonioni, Pasolini, Roberto Rosselini, Federico Fellini, Ettore Scola e Mario Monicelli revive um momento de restauração, “risorgimento italiano”, como alcunha a mídia do país da bota.

Entre os cineastas, Paolo Virzi (de A Primeira Coisa Bela) e o já citado autor de Gomorra, são responsáveis por esse ressurgimento e, ao que tudo indica, Paolo Sorrentino é o porta bandeira desta nova safra. Depois de concorrer ao prêmio máximo em Cannes por Le Conseguenze dell'amore (2004) e de ter lançado o premiado Ill Divo (2008), o diretor italiano parece rumar uma nova diretriz ao cinema reverenciado mundo afora pelas vanguardas realistas e neo-realistas.

Cartaz brasileiro do filme "Aqui é o Meu Lugar"

Em "Aqui é o Meu Lugar" Paolo Sorrentino usa criatividade


É isso o que Aqui é o Meu Lugar denota, mesmo que ainda sem uma grande história. O filme protagonizado por Sean Penn (de A Árvore da Vida), em excelente atuação, no papel principal de um ex-cantor de rock dos anos oitenta, com visual idêntico ao de Robert Smith (vocalista do The Cure), não possui um conto mirabolante. No entanto, como muito se diz, a partir de um limão pode-se fazer uma limonada, e Paolo Sorrentino usa criatividade em recursos técnicos a serviço da história contada.

"This Must be the Place" alfineta juventude e classe artística atual


This Must be the Place (título original) abre aspas, em meio à busca de Cheyene, personagem de Sean Penn, pelo nazista que humilhou seu pai, para declarar diante desta parte com ares de Road Movie, debochadamente, seu incômodo perante a atual juventude e o meio artístico. Responsáveis por cenas hilárias, muito por conta do trabalho do ator vencedor de dois Oscar (Milk: A Voz da Igualdade, de 2008, e Sobre Meninos e Lobos, de 2003), em uma delas, o seu personagem é surpreendido pela invasão de um adolescente prepotentee tentando convencê-lo a gravar um disco. O nome da banda? Full of Shit, sendo que Cheyenne nem produtor é. Já em outro momento, o aposentado rockeiro, como se fosse o próprio Penn, desabafa: “Você já reparou que ninguém trabalha hoje em dia e todo mundo faz uma coisa artística?”.

Frase de efeito como essa, bem justificada, com coerência ao contexto narrativo e aliada aos enquadramentos pertinentes faz de Aqui é Meu Lugar um filme de joia quase aprimorada e o seu autor mostra muito potencial. Basta apenas ele ter em mãos uma história de longo alcance ao público, daí, quem sabe, a peça estará completamente bem lapidada.

Nota: 8,5 





Ficha Técnica

Aqui é o Meu Lugar (This must be the place) – 118 min
Itália, França, Irlanda– 2011
Direção e Roteiro: Paolo Sorrentino
Elenco: Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch, Eve Hewson, Kerry Condon, David Byrne, Joyce Van Patten, Harry Dean Stanton, Simon Delaney

Estreia: 27 de julho

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