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Diante de algo que manche sua honra, os samurais cumprem um dos códigos mais intrigantes de sua mitologia, o Harakiri. Também conhecido como Seppuku, o ato consiste em suicidar-se, através de um corte estomacal, em busca de alívio e libertação da alma por algum motivo que o desonrou, por algum motivo em que o bem coletivo não foi conquistado. E é com uma forte tomada de um Samurai praticando o Harakiri que se inicia a saga de 13 Assassinos.

Cena do filme "13 Assassinos"
Dirigido por Takashi Miike e estrelado por Koji Yakusho (o ator japonês em Babel), 13 Assassinos desembarca em uma era pós-guerra no Japão, onde Samurais estão há muito tempo sem utilizar suas espadas, suas estratégia, seus golpes e quando muitos deixaram os seus clãs para servirem como mestres do governo local, por pagarem bem.

A trama de “13 Assassinos” apresenta o êxodo como rivalidade


Este êxodo causa uma temida rivalidade, colocando em dúvida a real causa e ideologia da existência dos Samurais. De um lado os samurais mais românticos, de raízes, que servem apenas ao bem maior da sociedade, do outro os que defendem apenas os interesses de seus mestres, que por tabela defendem apenas a causa de um sujeito único apenas. O conflito em 13 Assassinos se inicia através de denúncias de moradores de uma vila local direcionadas ao líder, Naritsugu, um jovem herdeiro precoce do trono e com costumes psicopatas para sua diversão.

Cartaz brasileiro do filme "13 Assassinos"
Naritsugu é frio, psicótico. Convida famílias para sua casa apenas para brincar de esquartejar cada um dos integrantes. São cenas fortes, mas necessárias, que figuram o cenário no qual o longa é exibido. Um clima de tragédia, aflição e medo. A carnificina sem fim do herdeiro, que recebe proteção de seus súditos, os samurais que abandonaram seu clã, chega até os ouvidos do que podemos chamar de um congresso da época, uma espécie de curadoria, que julga, de forma suprema, as leis e os líderes.

Um clã de samurais e batalhas épicas no filme de Takashi Miike


Não conseguindo um acordo formal com Naritsugu, o plano mais radical é posto em prática: a junção de um clã de samurais em busca de sua cabeça, que a essa altura já derruba limites em busca de mais terras e mais escravos para sua diversão sanguinária. A terra fria e chuvosa dá o cenário para o treinamento dos samurais e para as táticas de invasão do líder psicopata. Os casebres, típicos da época e a enigmática fotografia noturna, dão uma cara de suspense e tensão para o que vem pela frente.

O Harakiri dos primeiros segundos é um sinal da crise vivida pelos samurais naquele período. O que se vê nos seguintes atos do longa é uma batalha entre irmãos que lutavam antes por uma mesma causa, mas que ali brigam entre si. Durante as pouco mais de duas horas de filme, a pergunta que fica é sobre o real propósito daquela guerra em que todos iriam perder, de acordo com a essência samurai, de lutarem juntos para um bem comum, um bem de todos, e não para o melhor de um líder.

As batalhas são épicas. A supremacia de um samurai perante vinte guerreiros comuns é visível e empolgante. É neste ritmo rumo ao final de perder o fôlego que 13 Assassinos entra para a galeria de grandes filmes sobre samurais. Uma mistura de ação, questionamentos éticos, ideologia e muito bom cinema.

Nota: 9 





Ficha Técnica

13 Assassinos (Thirteen Assassins) – 126 min
Japão, Reino Unido – 2010
Direção: Takashi Miike
Roteiro: Kaneo Ikegami – Baseado no trabalho de Daisuke Tengan
Elenco: Kôji Yakusho, Takayuki Yamada, Yûsuke Iseva

Estreia: 20 de julho 

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