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Johnny Depp em cena do filme "Sombras da Noite"
Suponha que você vá ao cinema para ver Sombras da Noite sem ter lido sinopse alguma, sem sequer ter visto o trailer ou algum teaser. A falta de informação não será obstáculo algum para reconhecer de imediato quem está por trás das claquetes. Aliás, são precisos exatos 15 minutos de projeção de Dark Shadows (no original), a nova comédia gótica de Tim Burton, em sua oitava colaboração com Johnny Depp (que desta vez fez parte da produção), para que o espectador observe as velhas singularidades do universo do diretor de Alice no País das Maravilhas, construídas ao longo de seus 42 anos de carreira.

Prólogo de "Sombras da Noite" deixa a marca de Tim Burton


O prólogo, como de praxe em muitos de seus filmes, inicia tenebroso, com cenário sombrio agraciado com magnificências de cores e texturas opacas, mas impactante, e narrado por um sotaque inglês que nos faz nos esquecer que Depp é norte-americano. Denúncia ao público que, indubitavelmente, se trata de mais um longa de Tim Burton.

A repetição contundente não se restringe apenas à direção de arte, ou à narração pitoresca de Depp (do recente Diário de um Jornalista Bêbado). O enredo segue os moldes de A Fantástica Fábrica de Chocolate, Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, Noiva Cadáver e Edward Mãos de Tesoura, nos quais a temática se edifica na família.

Cartaz brasileiro do filme "Sombras da Noite"
A trama de Sombras da Noite gira em torna da genealogia Collins, ricos e poderosos de Liverpool, que, em 1752, partem para os Estados Unidos para ampliar o seu empreendimento mercantilista de pesca, construindo uma mansão chamada Collinsport. O êxito nos negócios marítimos, entretanto, começa a declinar depois que Barnabas Collins (Depp) quebra o coração de Angelique Bouchard (Eva Green), por estar apaixonado por outra moça (Bela Heathcote, de O Preço do Amanhã). O filho herdeiro só não sabia que Angelique é uma bruxa. Ela lança um feitiço matando seus pais e depois de transformá-lo em vampiro, não satisfeita com a vingança, o enterra vivo.

Duzentos anos mais tarde, em 1972, Barnabas escapa do caixão onde estivera enterrado e vai atrás de sua família restante, que se revela disfuncional, composta por Michelle Pfeiffer (de Noite de Ano Novo), Jonny Lee Miller, Chloe Grace Moretz (de A Invenção de Hugo Cabret) e Gulliver McGrath, que vivem atualmente em decadência. Completando a mansão arruinada, estão a psiquiatra Julia Hoffman (Helena Bonham Carter, de O Discurso do Rei), o caseiro e a babá Victoria Winters, que é a reencarnação da amada de Barnabas (Bela Heathcote). E com o passar do tempo, a personagem bruxa sexy e loira fatal, Eva Green, ressurge com todo poder e riqueza da cidade construída pela família Collins, Collinsport.

Novo filme de Tim Burton o aproxima do mainstream


O filme, que é baseado no seriado homônimo da rede ABC norte-americana, que existiu durante cinco anos, e da qual Burton era fã, arranca muitas gargalhadas. Possuindo um forte apelo mainstream, que estivera acanhado em outros de seus longas, Sombras da Noite se sustenta na inadequação do personagem de Depp. Por ter ficado sepultado durante tanto tempo, o habitual tipo esquisito de seu personagem funciona, só que, desta vez, com a inclusão da palavra-jargão indeed (de fato), que rende boas gargalhadas. 

A trilha sonora é composta por diferentes artistas, como The Carpenters, Iggy Pop, Elton John, Barry White, The Killers e Alice Cooper, que, inclusive, dá as caras no longa, rendendo outras situações risórias. A parte final, um tanto previsível, sem surpresa e sem criatividade, é sobrecarregada em cortes rápidos, edições que sobrepõem uma imagem a outra, características de um diretor com o intuito de impressionar só para impactar, mas nada que ofusque o brilho do longa.

Nota: 8 





Ficha Técnica

Sombras da Noite (Dark Shadows) – 113 min
EUA – 2012
Direção: Tim Burton
Roteiro: John August, Seth Grahame-Smith
Elenco: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jonny Lee Miller, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath

Estreia: 22 de junho

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  1. gostaria de poder assistir.

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  2. Compreendo os argumentos apresentados, mas discordo da nota atribuída ao longa.
    O filme não apresenta nada de novo, nada que traga alguma excitação ou expectativa. Numa mistura dos ótimos "A noiva cadáver" e "A morte lhe cai bem", só me restou a vontade de rever estes últimos.
    Talvez para os fãs de Tim Burton, o simples exercício do modo Tim Bourton de fazer filme seja suficiente. Eu esperava algo mais empolgante com um elenco tão bom.

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  3. o filme eh uma merda!! horrivell!!

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  4. Nota 8?
    Não vale nem 4.

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