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"Um grupo de cientistas descobre uma pista para as origens da vida na Terra, e parte em uma viagem aos cantos mais sombrios do universo para lutar uma furiosa batalha pela raça humana". O trecho acima faz parte da sinopse curta do filme Prometheus, que estreia dia 15 de julho no Brasil inteiro em cinemas convencionais e também em 3D. Essas poucas palavras não chegam nem perto de resumir a grandiosidade que é o filme, principalmente se assistido em terceira dimensão.

Michael Fassbender em cena do filme "Prometheus"
Ridley Scott, diretor de Alien: O Oitavo Passageiro, de 1979, retorna ao universo que criou em Prometheus. O filme, um misto de ação, terror e ficção científica, parece reunir todos os aspectos pelos quais o diretor se tornou conhecido: produção impecável, cenários gigantescos, alguns sustos, um clima constante de tensão e medo do desconhecido, replicantes sem coração e mocinhas de beleza exótica em trajes sumários.

Falando em mocinhas, a protagonista Elizabeth Shaw, vivida por Noomi Rapace (de Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras), é uma graça, mas é simplesmente inevitável não compará-la à durona Ripley, dos outros filmes. Como cientista a personagem não convence, principalmente por passarmos o longa inteiro sem saber exatamente se ela é arqueóloga, bióloga ou filósofa da evolução. Ainda assim, a atriz é impecável no seu papel e é preciso separar com muito cuidado um problema de roteiro do desempenho da moça.

Há ainda que se frisar o contraponto masculino do elenco, Michael Fassbender (de Shame e X-Men: Primeira Classe), como o replicante David, um robô feito à imagem e semelhança de um homem, para servir de apoio à tripulação da nave. Frio, sem emoções e, ainda assim, misteriosamente humano, David é, sem dúvida, a estrela deste filme.

Diretor Ridley Scott faz dos efeitos visuais a estrela de "Prometheus"


Pôster brasileiro do filme "Prometheus"
O ponto do alto do filme não fica por conta do roteiro. Desconexo e confuso, certamente vai desapontar aqueles que vão ao cinema esperando respostas para a série Alien. Prometheus, na verdade, parece vir para fazer as perguntas. Nem tudo está perdido, no entanto. A experiência visual da obra, por si só, já vale a ida ao cinema.

Grandiosos. É o mínimo que se pode dizer dos cenários de Prometheus. Por mais que eu não seja o maior fã da escala monocromática que habitualmente é creditada a criaturas alienígenas, os artistas da pequena lua encontrada pelos exploradores capricharam. Os cenários são reais, fantasticamente vazios e increvelmente opressores. É possível sentir o medo que tanto espaço confinado provoca nos personagens, chega a ser algo palpável. E os efeitos visuais são todos de primeira linha.

Experiência em 3D torna-se o grande trunfo de Prometheus. Quem tiver oportunidade deve curtir o filme em uma sala com esta tecnologia. Sem firulas dançando para fora da tela, o 3D de Prometheus é mais realista do que nunca. É uma maneira única e especial de apreciar todo o trabalho de arte desenvolvido exclusivamente para a série. Prometheus pode não ser o melhor filme do ano, mas para fãs de ficção científica e da série Alien, é um prato cheio para muita curtição visual e discussões intermináveis.

Nota: 6






Ficha Técnica

Prometheus – 124 min
EUA – 2012
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Jon Spaihts, Damon Lindelof
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall, Kate Dickie, Lucy Hutchinson

Estreia: 15 de junho 

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  1. Roteiro desconexo? Acho que você não entendeu o filme...

    Além disso, quem for ao cinema e não perceber a proposta do Scott de voltar a esse universo, e ao mesmo tempo propor algo novo, sem os Aliens - que só aparece no final e é irrelevante pra história - vai ficar sem entender mesmo.

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  2. Essa é a mera opinião de um espectador: como fã de ALIEN e ALIENS, senti-me satisfeito com o filme; é bem feito e sua história, ao invés do retratado pelo exímio crítico anteriormente, possui coerência. Claro que as perguntas feitas não são respondidas; o intuito é iniciar uma nova franquia. E há, sim, respostas para os mistérios de ALIEN; todavia, são discretas e necessitam de atenção - inclusive, de deduções.

    O filme vale mais pela experiência de ficção que pelos seus grandiosos efeitos.

    E é melhor em 2D...

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  3. Parabéns pela critica, você fez uma síntese muito boa sobre o que filme pode oferecer. Apesar de eu não ter curtido o titulo que foi dado para a chamada da sua critica, eu gostaria de discutir com você este ponto:

    "O ponto do alto do filme não fica por conta do roteiro. Desconexo e confuso, certamente vai desapontar aqueles que vão ao cinema esperando respostas para a série Alien."

    Por que você considerou o fato da "confusão" o que eu chamaria melhor de questionamentos de um ponto fraco da obra? Eu penso que este sim é um dos pontos mais fortes do filme e não os efeitos especiais em 3D, não sei se você esta a par de toda obra do Alien, mas o foco deste filme não é mesmo contar a história do Alien como a mídia apontou, o Alien refere-se a ponta do iceberg dessa história no filme. Um dos pontos mais positivos dos filmes de Sci Fi sérios são realmente a questão do questionamento, se você assistir a ultima entrevista do Ridley Scott sobre o filme, vai entender que ele não fez o filme apenas pela questão mercadológica e que ele queria sim provocar questionamentos sobre religião, astronautas antigos, guerras históricas, antropologia e cultura nos espectadores.

    Creio muito que os questionamentos são válidos em filmes como estes, ou vamos dar credito só para os efeitos especiais em 2001 Um odisseia no espaço? Sendo que sabemos que esse filme trouxe mais perguntas do que explicações sobre o que se passa no enredo. Vamos ter que dar credito para filmes como Independence Day, onde tudo é explicado? ETs usam Windows e são infectados com vírus de computador da terra? hahahaha Ou mesmo Guerra dos Mundos onde só tem porradeiro e nenhuma discussão do por que da invasão marciana?

    Enfim, eu gostaria que você lesse tudo que escrevi e comentasse um pouco mais sobre esta questão de você não acreditar que o roteiro "confuso" e com mais "perguntas do que respostas" ser um ponto negativo...

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  4. Vou criticar e defender o texto do Stefano.

    Eu assisti recentemente toda a série Alien e confesso que virei um grande fã. (menos do filme 3, dos 4, que é de um bom diretor mas é bem ruim).
    Sendo assim, fui assistir o Prometheus com uma enorme expectativa e adorei! Achei o roteiro muito bom, e não achei que faltam respostas, pelo contrário. Concordo com os comentários aí de cima.

    Mas ao mesmo tempo ouvi muita gente na sala (que estava cheia) reclamando muito do filme, das cenas mais sangrentas, de não entender nada do que se passa. Minha namorada também não gostou muito, e essa (do Stefano) não é a primeira crítica meio negativa que eu leio.

    Eu sinceramente ainda não entendi porque o filme agradou pouco a maioria, mas alguma coisa de errado ele deve ter. Ou é um filme que agrada mais a fãs de ficção científica, ou melhor, agrada a quem lembra dos filmes anteriores do Alien, e esses são poucos.

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