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O Vendedor, longa de estreia de Sébastien Pilote, não é apenas um filme de qualidade, mas também teve seus méritos reconhecidos por meio de uma dezena de prêmios. É um drama de estilo minucioso e de feitura delicada, integrando com inteligência os vários elementos da linguagem cinematográfica. Sem dúvida, é imperdível para amantes da sétima arte, pessoas que gostam de trabalhos primorosos, aqueles interessados na sociologia do trabalho e os interessados pelos problemas socioeconômicos da atualidade. Uma indicação valiosa é se acomodar na poltrona e deixar-se levar, que o filme emociona.

Cena do filme "O Vendedor"

A crise global em “O Vendedor”


Marcel Lévesque (Gilbert Sicotte) é o melhor e mais experiente vendedor de carros de uma concessionária em uma pequena cidade que sobrevive em função dos empregos gerados por uma fábrica de uma multinacional atingida pela crise econômica de 2008/2009. Sua vida gira em torno de seu trabalho, que ele mantém em constante aprimoramento, da filha única Maryse (Nathalie Cavezzali) e seu pequeno neto Antoine (Jeremy Tessier). O filme se desenrola no inverno rigoroso canadense, no qual camadas espessas de neve cobrem os veículos do pátio da concessionária e as ruas da cidade diariamente; máquinas para retirar a neve são rotinas e peças essenciais.

Cartaz original do filme "O Vendedor"
Pilote aborda as dificuldades da fábrica por meio de vários elementos, mas a partir do próprio Lévesque, que não é nada mais que um vendedor. É ele que se depara com os protestos pacíficos dos trabalhadores demitidos, acompanha os noticiários, entra em contato com um desses trabalhadores e experimenta, às vezes como um eco, as consequências financeiras da crise. Assim, essa linguagem indireta e distanciada no trato desses problemas dá ao filme uma sutileza e afastamento que, a despeito disso, não deixa a desejar.

Integração dos elementos cinematográficos no filme de Sébastien Pilote


Em O Vendedor, Pilote, que fez tanto o roteiro quanto a direção, aproxima o andamento do próprio filme da forma como o vendedor realiza a principal venda no longa: com maestria, paciência. A fotografia é muito bem cuidada, o recurso da música para provocar emoção consegue seu fim e a certa altura você se pergunta como chegou a certo estágio emotivo.

Mas, o que mais surpreende é o uso de uma sonoplastia que não apenas constrói a estrutura sonora da obra, mas também fala por si só, informa algo que não está na cena. Um outro recurso utilizado, que neste caso pode tornar-se ambíguo e metafórico, é a apresentação de uma cena na abertura e próximo dos momentos finais do filme, em ângulos diferentes. Trata-se de trabalhadores retirando uma vaca morta sobre a neve. O significado desta cena pode ser um exercício para quem for assistir ao filme.

Por: Angela Gomes
Nota: 9 






Ficha Técnica

O Vendedor (Le Vendeur) – 107 min
Canadá – 2011
Direção e Roteiro: Sébastien Pilote
Elenco: Jean-François Boudreau, Jean-Robert Bourdage, Nathalie Cavezzali, Pierre Leblanc, Gilbert Sicotte, Jeremy Tessier

Estreia: 8 de junho (exclusivamente no Cine Sesc) 

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