0


Cena do filme "O Moinho e a Cruz"
O cinema é a representação artística que, talvez, melhor retrata os meandros da vida real. Conflitos pessoais, situações históricas nas quais a importância dos personagens é crucial, comédias do cotidiano, ficções científicas metafóricas etc. O propósito do longa polonês O Moinho e a Cruz, do diretor Lech Majewski, é representar uma realidade, em contrapartida, por intermédio da recriação – com som, movimento e fala – de uma pintura clássica, A Procissão e o Calvário, do pintor Pieter Brugel.

Um quadro filmado, que traz uma pequena abordagem da rotina da população campestre da Europa no século XVI. Em um filme com pouquíssimos diálogos, em que a linearidade narrativa não tem relevância, destaca-se a bela fotografia, que garante ao espectador momentos contemplativos.

"O Moinho e a Cruz" apresenta a perfeição em formas e cores


Pôster original do filme "O Moinho e a Cruz"
Nesse filme peculiar, o pintor Brugel (Rutger Hauer) expõe sua interpretação, com pincéis e tintas, da invasão de tropas estrangeiras na região de Flandres, atual Bélgica. Nesse misto de retrato da realidade com encenação paisagística, há a Virgem Maria, Judas e a crucificação de Cristo. Em meio ao horror consequente de agressões gratuitas, e mortes, crianças brincam e moradores trabalham de forma tranquila. Bruegel busca expor o que há de bom e mau em seus quadros, enquanto faz comentários reflexivos sobre os acontecimentos do mundo e compara o ofício da pintura ao trabalho da aranha na construção de uma teia.

Longe de ser comercial, a proposta de O Moinho e a Cruz não é delinear acontecimentos de forma temporal, adequando-se a uma lógica literária (ou algo parecido). A viagem compensa, pois as imagens são estupendas. A comunhão do verde da grama, com o vermelho de peças de roupa em contraponto ao céu acinzentado pintado a mão, e a neblina intensa, são delineados com perfeição pela fotografia e direção de arte. O cuidado com o movimento cênico dos atores também merece destaque.

O cinema vira museu no filme de Lech Majewski


Em determinadas composições, a câmera fica estática e os personagens do primeiro plano estão parados. Seria apenas um quadro filmado, se as pessoas do plano de fundo não estivessem se mexendo e emitindo som. Assistir a O Moinho e a Cruz vale a pena, da mesma forma que ir a uma galeria de arte e apreciar belíssimas obras.

Nota: 8 





Ficha Técnica

O Moinho e a Cruz (The Mill and the Cross) – 97 min
Suécia, Polônia – 2010
Direção: Lech Majewski
Roteiro: Lech Majewski, Michael Francis Gibson
Elenco: Rutger Hauer, Michael York, Charlotte Rampling, Joanna Litwin, Dorota Lis

Estreia: 15 de junho 

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top