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A Guerra dos Botões é uma adaptação do romance homônimo escrito pelo francês Louis Pergaud, em 1912. De lá para cá, quase um século depois, a quarta regravação cinematográfica, feita em 2011, reaparece novamente sob autoria francesa. O remake anterior, de 1994 e com mesmo nome, foi produzido no Reino Unido, precisamente na Irlanda, e possivelmente, a melhor transposição da história das crianças de aldeias rivais, os Velrans, liderados por Azteca, e os Longevernes, por sua vez chefiados por Lebrac, que freneticamente travavam emocionantes batalhas nos campos do sul da França. Aos derrotados perdiam-se os botões das camisas, para desgosto dos pais e, consequentemente, para os filhos, que recebiam broncas e apanhavam.

Cena do filme "A Guerra dos Botões" de 2011

O filme "A Guerra dos Botões" de 2011 se difere das outras versões


Tão diferente da versão irlandesa, e também das outras duas francesas 1962 e 1937 A Guerra dos Botões, versão 2011, mantém alguns semblantes da fábula de Pergaud apostando em uma transgressão no conteúdo narrativo. Em vez de manter o enredo na aproximação e cumplicidade entre os seus líderes – Azteca e Lebrac – o novo remake ignorou por completo o relacionamento entre os dois e preferiu criar e explorar a história pessoal do último, o líder dos Longevernes, atribuindo uma responsabilidade de homem-da-casa, onde vivem ele, sua mãe e suas duas irmãs pequenas, já que o pai faleceu. E para isso, entre aprendizados de Liberdade e Independência na Escola, o garoto/adulto, de enorme potencial de inteligência, terá que decidir precocemente sobre o seu futuro.

Mudança no enredo muito válida para uma história que já foi malhada e contada anteriormente três vezes no cinema. Mas o realizador Yann Samuell (que já dirigiu em 2003 Marion Cotillard, de Meia Noite Em Paris) esqueceu-se dos botões, aliás, ele os ignora quase por completo. O pequeno objeto, cuja perda denota o perdedor, e que lembra, de certa forma, os escalpos dos índios norte-americanos, os Sioux, quando estes derrotavam seus inimigos, é lembrado raríssimas vezes ao longo da nova regravação.

Pôster brasileiro do filme "A Guerra dos Botões" de 2011
Outro lapso do diretor foi a inclusão do personagem Tintin, soldado na Guerra da Argélia (1954-1962) e irmão da namorada de Lebrac, Marie. Na intenção de pôr um tom mais sério ao filme, ao falar da guerra, a opção desperdiça o potencial de outros personagens, como os professores das crianças da vila Velran e Logeverne, responsáveis por momentos hilariantes quando entram em atrito e se comportam exatamente como os alunos. Da mesma forma que Tintin aparece do nada, em uma espécie de abiogênese, ele desaparece sem deixar rastro, e muito menos saudade.

"A Guerra dos Botões" pega carona com o sucesso de "O Pequeno Nicolau"


Agraciado em seus cartazes com a menção de O Pequeno Nicolau (2010), que fez muito sucesso com o público no Brasil, onde ficou mais de um ano em exibição, A Guerra dos Botões possui similitudes com a turma traquinas de Nicolau. Além da língua falada, a trama é centrada na inocência das crianças, no linguajar, às vezes sem saber o significado, de palavras chulas como Culhão-Murcho e Coça-Saco e nos erros triviais de oralidade e escrita que elas cometem. Ambos os filmes usam e abusam disso para extrair o efeito cômico desejado.

Apesar de a trama ser outra em A Guerra dos Botões, outro contexto, a lembrança se justifica, afinal, o filme ficou em espera quase um ano, para finalmente estrear por aqui. A distribuidora de cinema independente Imovision apostou acertadamente em fazer referencia à O Pequeno Nicolau como uma boa forma de tentar atrair o público, que dificilmente se arrependerá após o fim da película.

Nota: 6,5 





Ficha Técnica

A Guerra dos Botões (La Guerre des Boutons) – 109 min
França – 2011
Direção: Yann Samuell
Roteiro: Yann Samuell – Baseado no livro homônimo de Louis Pergaud
Elenco: Eric Elmosnino, Mathilde Seigner, Alain Chabat, Fred Testot, Vincent Bres, Salomé Lemire, Théo Bertrand, Tristan Vichard

Estreia: 6 de julho 

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