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Christoph Waltz em cena do filme "Deus da Carnificina"
O diretor Roman Polanski comprovou com a bem sucedida trilogia do apartamento – formada por O Bebê de Rosemary, Repulsa ao Sexo e O Inquilino – que sabe, como poucos, na utilização de closes precisos e movimentos de câmera pontuais, transmitir ao espectador sensações de tensão e desconforto nas sequências ambientadas em locais fechados. O novo filme do cineasta polonês, Deus da Carnificina, se passa todo dentro de um apartamento não muito grande em Nova York e, se não há o horror de outrora, prevalece um registro competente e inquietante do embate verbal entre dois casais. Além da impactante aura conflitava estabelecida quase que nos 78 minutos da narrativa, a história – baseada na peça God of Carnage, de Yasmina Reza, que foi montada recentemente no Brasil – proporciona um leque de reflexões.

Personalidades opostas demonstram seus preconceitos em discussões ásperas


Cartaz brasileiro do filme "Deus da Carnificina"
O casal Nancy (Kate Winslet) e Alan Cowan (Christoph Waltz) vai à casa de Penelope Longstreet (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly), para tentar resolver um embróglio: o filho do primeiro casal agrediu o filho do segundo. O que inicialmente parecia ser uma tentativa pacífica de resolução do impasse transforma-se numa ferrenha troca de farpas, movida pela raiva expurgada por personalidades conflitantes. Eis o circo no qual cada personagem, que representa seres humanos normais de Nova York, do Rio de Janeiro, Tóquio, qualquer lugar do mundo, expõe suas reais facetas. No clamor do desejo por vencer o outro na argumentação a qualquer custo, em sequências nas quais a teatralidade cênica é evidente, preconceitos são expostos e a hipocrisia confirma-se. Algo típico em discussões regidas pelo ego.

Pontificando com precisão a personalidade de cada membro do quarteto, o bom roteiro não permite que nenhum deles seja desinteressante – por mais que se transformem em figuras odiáveis ao exporem suas sinceridades. O elenco – preenchido por nomes gabaritados – compõe os personagens com o talento habitual, apesar de ser um pouco incômodo notar que o bom ator Christoph Waltz (de Os Três Mosqueteiros 3D) representa o mesmo tipo malvadão e debochado de obras anteriores, flertando em alguns momentos com a caricatura. É um pequeno deslize que não impede, porém, que o ácido Cowan seja uma figura importante no enredo.

"Deus da Carnificina" levanta a reflexão: pessoas são os piores monstros que existem?


Ninguém é o que parece ser em Deus da Carnificina. Aliás, na interação social cada indivíduo desempenha um papel e espera que a sociedade o aceite, o respeite. Em certas circunstâncias a verdade jorra de forma ácida e o conflito inevitável é a mostra da imperfeição latente das pessoas, que deveriam conviver de forma pacífica, e harmoniosa, se tudo fosse como naqueles filmes norte-americanos que se passam em subúrbios ensolarados, com crianças que andam de bicicleta e brincam em casas da árvore. Pode não ser o melhor longa de Polanski, mas ele, certamente, reuniu no apartamento de Nova York monstros mais perigosos que aqueles dos clássicos de terror e suspense.

Nota: 9






Ficha Técnica

Deus da Carnificina (Carnage) – 78 min
França, Alemanha, Polônia, Espanha – 2011
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Yasmina Reza, Roman Polanski – Baseado na peça "Le Dieu du Carnage"
Elenco: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly, Eliot Berger

Estreia: 7 de junho 

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  1. Vi e só posso dizer uma coisa, o filminho RUIM!

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  2. O filme Deus da Carnificina tem um conteúdo inteligente, os atores são bons, mas todo filme se desenvolve dentro de uma sala, onde quatro pessoas discutem e discutem e discutem, tornando o filme chato e cansativo. Não gostei.

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  3. O filme é tão bom quanto a peça brasileira dirigida por Emilio de Mello. Nos dois eu ri do inicio ao fim, é um deboche incrível, é de um cinismo....

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