0


O drama Um Verão Escaldante é o terceiro filme do diretor francês Philippe Garrel (de Amantes Constantes) tendo como protagonista o seu filho Louis Garrel (de Amores Imaginários). Trata-se de mais um, de quase a totalidade dos filmes de Garrel, retratando artistas e seus amores. Inclusive, a sua parceria com Marc Cholodenko e Caroline Deruas-Garrel no roteiro faz com que o pintor protagonizado por Louis Garrel expresse o amor (mulher) e a arte como as duas coisas com as quais ele seria feliz. Partindo da amizade, o amor, a arte e os conflitos de relacionamentos desfilam pela tela retratados por uma fotografia bem cuidada e uma trilha sonora com músicas mais modernas e composições de John Cale. Enfim, uma obra tocante para exercitar a sensibilidade.

Amizade, amor e arte em "Um Verão Escaldante"


Monica Belucci em cena de "Um Verão Escaldante"
Quando o filme se inicia, aparecem na tela preta do cinema os créditos sem o uso de qualquer recurso sofisticado. Em seguida, surge Frédéric (Louis Garrel) em pé na rua como se ansiosamente esperasse alguma coisa. Decidindo-se, parte em seu carro. Acompanhadas por uma composição de John Cale, as cenas noturnas por uma pista sinuosa sem iluminação além dos faróis do carro são recortadas por uma imagem de uma mulher nua com seu corpo magistralmente iluminado sobre uma cama em meio à escuridão chamando muda com um movimento das mãos.

Frédéric acelera e bate ocarro contra uma árvore. Sabemos então, por meio de um narrador, que ele tinha um melhor amigo, que resolveu contar sua história. Paul (Jérôme Robart) foi apresentado a Frédéric e sua esposa, a atriz Angèle (Monica Bellucci, de As Idades do Amor) em Paris, por quem ficou fascinado. Depois disso, como ator figurante, Paul conheceu a atriz Élisabeth (Céline Sallette) na gravação de um filme e não mais se separou dela.

Cartaz brasileiro do filme "Um Verão Escaldante"
Frédéric convida Paul e Élisabeth para visitar sua casa em Roma, onde sua mulher, atriz famosa, está fazendo um filme enquanto ele fica em casa pintando seus quadros. Há três temas principais: a amizade devotada de Paul por Fréderic, o relacionamento deste com Àngele e o de Paul e Élisabeth. No enredo, esses relacionamentos se multiplicam, imiscuindo-se e incluindo outros personagens na trama. Angèle surge como núcleo de instabilidade, criando e desfazendo vínculos e conflitos.

Os desequilíbrios do amor na obra de Philippe Garrel


Um Verão Escaldante apresenta algumas cenas pictóricas, seja Angèle aparecendo como um motivo digno de uma pintura no início do filme, ou algumas composições como as duas mulheres do lado de fora depois da dança. Os conflitos emocionais estão presentes mas surgem como empecilhos para a criação artística. Angèle está em desequilíbrio com suas paixões e sentimentos e fica ressentida por não ser mais os motivos das pinturas do marido, pensando não ser mais amada.

Frédéric tem a mulher como um dos pilares de sua vida e também tem dificuldades para lidar com os desequilíbrios emocionais decorrentes desse relacionamento. A amizade entre ele e Paul faz com que o relacionamento deste também se desequilibre, fazendo com que Élisabeth se imponha diante da instabilidade que ela representa para o casal. É um ponto positivo que Angèle tenha voz para fazer confidências sobre a forma como é tratada por Frédéric. No fim, trata-se de um longa sobre o amor mais que sobre a amizade, quando as sombras já desfazem os contornos de um quadro e os atores conseguem transmitir essa paisagem.

Por: Angela Gomes
Nota: 8 






Ficha Técnica

Um Verão Escaldante (Un Été Brûlant) – 95 min
França – 2011
Direção: Philippe Garrel
Roteiro: Marc Cholodenko, Caroine Deruas-Garrel, Philippe Garrel
Elenco: Monica Bellucci, Louis Garrel, Céline Sallette, Jérôme Robart

Estreia: 1 de junho 

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top