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A comédia de ação Plano de Fuga preocupa-se em lapidar o que tem de mais precioso na história: Mel Gibson (de Um Novo Despertar), O ator vive um assaltante de bancos preso no sul da fronteira dos Estados Unidos com o México por policiais corruptos mexicanos, e é levado ao Pueblito, que, na prática, funciona como aldeia-presídio. A figura do ator australiano, sempre envolto em polêmicas por seu temperamento difícil, agravados com bebida e relações complicadas com mulheres, é sempre explorada no filme. Decisão astuta do diretor Adrian Grunberg, com quem Gibson trabalhou em seu penúltimo longa, O Fim da Escuridão. Por isso, cenas recorrentes ao uso de bebida e cigarro são utilizadas sem ter muito contexto com o fio narrativo; tiradas e falas de efeito cumprem exatamente a finalidade do sujeito-macho-galante do ator para dominar a atenção em cada enquadramento.

Mel Gibson lança o filme "Plano de Fuga"

"Plano de Fuga" se concentra em um Mel Gibson não inspirado


A história não é das melhores, mas a aposta na simbiose do ator e pessoa para o gênero ação/comédia, que tem suas origens em filmes de ação – a franquia de Mad Max – e depois ganha sobrevida em comédias de tiro e lutas, como na saga Máquina Mortífera, é acertada. Porém, é ineficaz quando o ator não está inspirado e Plano de Fuga aposta nele a todo instante (e ele em si, já que também participou do roteiro). Como na cena da imitação de Clint Eastwood, na qual a voz de Gibson em nada se assemelha com a do cineasta.

O astro Mel Gibson dá sinais de que precisa se reinventar se quiser continuar a ser tratado como preciosidade. Get the Gringo, título original, repete a intenção e partilha da mesma concepção já feita há mais de dez anos, quando, na tentativa de repaginar sua carreira, lançou O Troco, no qual o slogan do filme de 1999, No more Mr. Niceguy (Chega de ser bonzinho), deixou clara a intenção de mudar os personagens heróicos anteriores, como o marcante e inesquecível William Wallace em Coração Valente (1995).

Filme de Adrian Grunberg exclui possibilidade de abranger público por escolher cenas pesadas


Sem necessidade, para um filme que quer ser leve, o menino que ajuda o personagem de Gibson na aldeia-prisão se fere propositalmente com uma arma na barriga, um dos policiais mexicanos tem seus dedos dos pés cortados por alicate e a mãe do menino, com quem o personagem de Gibson se envolve, recebe choques elétricos. Se não bastasse, uma transfusão de fígado é mostrada com planos detalhados sobre o órgão. Essas cenas fazem o longa perder em força e público. Em uma obra que tem a proposta evidente de entreter, tais cenas, feitas para impactar apenas por impactar, afastam o público. Por conta disso, recebe uma classificação etária de 16 anos. Plano de Fuga dá o tiro no pé e exclui qualquer possibilidade de abranger ainda mais o seu público-alvo. Se for para divertir e relaxar, para que jorrar tantas cenas pesadas ao espectador?

Nota: 3






Ficha Técnica

Plano de Fuga (Get the Gringo) – 95 min
EUA – 2012
Direção: Adrian Grunberg
Roteiro: Mel Gibson, Adrian Grunberg, Stacy Perskie
Elenco: Mel Gibson, Peter Stormare, Dean Norris, Bob Gunton, Stephanie Lemelin, Kevin Hernandez, Scott Cohen

Estreia: 18 de maio 

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  1. Pretendo assistir no final de semana, e tenho boas expectativas.

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

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