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Quando se diz que um filme é indie, pode-se querer dizer duas coisas. A primeira literal, que a obra é uma produção independente. Mas a segunda tem mais a ver com estilo, um estilo bastante ligado à música, e que nos filmes é notado no roteiro, fotografia e até figurino. Na década de 2000 há vários exemplos da categoria indie; Juno (2007) talvez seja o mais representativo. O Que Eu Mais Desejo também apresenta a estética indie, mas diferentemente da maioria norte-americana, é único por ser muito rico em retratar a cultura japonesa, e por ter um olhar muito divertido sobre a infância.

Cena do filme "O Que Eu Mais Desejo"

Filme de Hirokazu Kore-Eda mostra a infância no Japão e no mundo


Depois do divórcio dos pais, dois irmãos vivem separados na ilha de Kyushu, no Japão. O mais novo ficou com o pai em uma cidade do norte, e Koichi, de 12 anos, com a mãe e os avós no sul. Ao escutar a lenda de que no local onde dois trens bala se cruzam os pedidos tornam-se realidade, Koichi começa um plano para ir até onde isso acontece e, assim, juntar novamente sua família.

Koichi está sempre em contato com o seu irmão através do celular apesar de serem apenas crianças, os celulares estão sempre presentes como um coisa totalmente natural. Quando começa a bolar o plano de viagem, logo informa os detalhes para Ryunosuke, o caçula, além de incluir seus melhores amigos da escola. Da mesma forma, Ryunosuke agrega seus amigos do norte e assim formam-se duas equipes.

Com essa situação em mãos, o diretor e roteirista Hirokazu Kore-Eda explora os diferentes desejos que cada uma das crianças pretende levar até a intersecção dos trens. Desejos de crianças japonesas, e que poderiam ser de quaisquer outras do planeta: se casar com a professora por quem está apaixonado, ser uma atriz famosa, um grande atleta, ou ver os pais juntos outra vez.

Pôster nacional do filme "O Que Eu Mais Desejo"

A riqueza de detalhes em "O Que Eu Mais Desejo"


O filme é uma grande coleção de pequenas histórias que se intercalam. Enquanto a saga dos irmãos se desenvolve, entram e saem de cena uma diversidade enorme de outras histórias de personagens secundários. Primeiro dos amigos de escola, mas indo muito além da infância, também histórias dos pais, dos avós e seus amigos da terceira idade, da cidade onde vivem, e da própria ilha de Kyushu.

Outros detalhes muito ricos são valorizados na rotina do jovem Koichi. Mesmo sendo um personagem fictício, e a história ser passada em tempo presente, é impossível não imaginar um sentimento saudosista do diretor ao mostrar algumas imagens. Os bolinhos feitos pelo avô, a limpeza diária das cinzas expelidas pelo vulcão local (e o medo da sua presença), a tortuosa ladeira da escola, e diversas outras coisas. Nesse ponto, o longa faz lembrar a valorização dos pequenos detalhes mágicos da vida como em Amélie Poulain (2001).

Como em todo bom filme indie, a trilha musical é um elemento muito importante na construção do clima da história. A ótima trilha de O Que Eu Mais Desejo é quase toda instrumental, composta de alguns folks que são tocados em primeiro plano durante longas sequências, sem pressa, como que para aproveitar a música. Já os atores mirins são igualmente ótimos. Irmãos também na vida real, Koki e Ohshiro Maeda dão um show à parte na interpretação é importante avisar que o personagem do caçula é hilário.

Por: Lucas Siqueira Cesar
Nota: 10






Ficha Técnica

O Que Eu Mais Desejo (Kiseki) – 128 min
Japão – 2011
Direção e Roteiro: Hirokazu Kore-Eda
Elenco: Koki Maeda, Ohshiro Maeda, Nene Ohtsuka, Kirin Kiki, Yui Natsu Kawa, Masami Nagasawa, Joe Odagiri, Isao Hshizume, Hiroshi Abe, Yoshio Harada

Elenco: 18 de maio 

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