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Judi Dench em cena do filme "O Exótico Hotel Marigold"
Congregue num elenco um punhado de atores exemplares, outro de espetaculares e terá certamente um excelente filme, certo? Nem sempre, o que é o caso de O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, no original), vitrine de profissionais assombrosos nos seus ofícios, como Judi Dench (do recente Sete Dias com Marilyn e de uma infinidade de belas produções), Tom Wilkinson (de Conspiração Americana), Bill Nighy (de Fúria de Titãs 2) e Maggie Smith (do fantástico Assassinato em Gosford Park e conhecida internacionalmente pela participação na saga Harry Potter). Há ainda outros que se não são do patamar estelar citado, mas também mostram-se impecáveis em cada cena. É uma reunião de talentos que não se vê comumente.

Viagem rumo ao "Exótico Hotel Marigold" move a trama


Se os personagens são carregados nas costas por gente de tamanho quilate, o tema que gera a história, então, é frágil? Pois aí que está, não é. Na verdade, é um mote interessante que gera até alguns bons efeitos no transcorrer da trama. Um grupo de idosos aposentados viaja para a Índia, rumo a um aparente spa de luxo, o hotel do título. Cada um deles tem uma busca peculiar nessa empreitada e as duas horas de projeção captarão seus tropeços e sucessos.

Pôster nacional do filme "O Exótico Hotel Marigold"
O fato é que não há lá muita densidade ou substância no roteiro de Ol Parker, praticamente um estreante no cinema (um quase desconhecido Imagine Eu e Você e trabalhos para televisão compõem seu histórico). Há uma leveza nos diálogos, uma direção que não deixa marcas (John Madden, de Shakespeare Apaixonado e de uma filmografia que ilustra bem tal característica formal) e uma montagem linear, o que para alguns pode soar até agradável. O fato é que, para olhares acurados e mais exigentes, ao acender das luzes do cinema fica a noção de que se viu um exemplar de como se filmar sem riscos mesmo com tanto potencial nas mãos.

Filme de John Madden é um típico feijão-com-arroz sem ousadia de temperos criativos


O Exótico Hotel Marigold toca em alguns pontos como a velhice, o olhar cultural ao enxergar diferenças (a metrópole britânica e a colônia indiana), angústias diante do amor e das fraquezas humanas, demasiadamente humanas. Seria notável e digno até de figurar numa lista de melhores do ano se conseguisse costurar conteúdo tão vasto e rico com um pouco mais de intensidade e inventividade. Tudo parece ao paladar um bom feijão-com-arroz sem a ousadia de temperos criativos. Diálogos são graciosos, alguns da boa estirpe do humor britânico, mas não memoráveis. Personagens têm bons pontos de partida e são levados com dignidade pelos atores até o limite possível do que o roteiro propõe. É daqueles filmes que você resume por aí nos papos de bar com condescendentes reticências: “É... é bom...”. Tinha tudo para ser melhor.

Nota: 7 






Ficha Técnica

O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel) – 124 min
Reino Unido – 2011
Direção: John Madden
Roteiro: Ol Parker – Baseado no romance de Deborah Moggach
Elenco: Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Penelope Wilton, Maggie Smith, Liza Tarbuck, Ronald Pickup, Celia Imrie, Sara Stewart

Estreia: 11 de maio 

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