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Christian Bale em cena do filme "Flores do Oriente"
Zhang Yimou é um cineasta chinês que opta, na maioria das vezes, por filmar pessoas comuns em pequenos conflitos. Tais pessoas são vítimas decorrentes de um determinado contexto político, portanto, mais abrangente, atravessado pelo seu país na época abordada. Sua filmografia confirma a predileção por este panorama. É o caso dos seus filmes mais cultuados, como Lanternas Vermelhas (1991), A História de Qiu Jin (1992) e Tempo de Viver (1994), além dos mais recentes, repletos de efeito especiais, como Herói (2002) e o Clã das Adagas Voadoras (2004).

Pela primeira vez, diretor Zhang Yimou usa um ator não-oriental em seus filmes


Flores do Oriente é a junção do modo peculiar e habitual do cineasta em escolher a história, somado ao grande aparato audiovisual, que contribuiu, e muito, ao orçamento de 90 milhões de dólares, o maior valor investido em seus filmes. Entretanto, o incomum nesta obra, de 2011, e escolhida para representar a China no Oscar 2012, é o protagonista da trama ser um ator norte-americano Christian Bale (de O Vencedor) fato ainda não visto na carreira de Zhang Yimou, que sempre preferiu trabalhar em produções genuinamente nativas.

Pôster nacional do filme "Flores do Oriente"
O contexto político se passa em 1937, quando a cidade de Nanquim, então capital chinesa, está sendo destroçada e aniquilada pelo Império japonês, em um acontecimento que mais tarde ficou conhecido como Estupro de Nanquim. Paralelamente ao cenário de guerra entre as duas nações, pessoas comuns um agente funerário, John Miller (Christian Bale), um aprendiz-mirim religioso, além dezenas de meninas e prostitutas – conseguem se proteger no lugar considerado neutro, o Mosteiro. E é logo na apresentação do grande monastério que descobrimos precocemente a presença do caminhão escangalhado, sugerindo um possível desfecho para o filme. Mas passa longe de comprometer Flowers of War (título em inglês).

"Flores do Oriente" caminha entre atrocidades e sutilezas, até com bom humor


Aliás, o longa não compromete em momento algum. O que se passa na Igreja entre essas pessoas comuns é o pequeno conflito, que é a parte mais sútil e delicada do filme, pois pessoas diferentíssimas têm de conviver juntas para sobreviver. É o caso do agente funerário ganancioso e inicialmente alheio à situação que o cerca, contrapondo com o garotinho devoto chinês, muito tenaz, que parece ser o único responsável por tentar manter certa ordem no ambiente, além do choque entre diferentes realidades protagonizadas pelas meninas dóceis com canduras do coral e as prostitutas de larga experiência mundana. E ainda sobram situações cômicas, notadamente quando o personagem de Bale tenta invariavelmente seduzir uma das raparigas cortesãs, e essas, por sua vez, reagem com as suas risadas estridentes.

Sem quase esquecer nunca das atrocidades dos exércitos japoneses que ocorrem fora da Igreja, e às vezes dentro dela, culminando na cena mais violenta do longa, quando soldados saqueadores invadem o mosteiro, o épico não se perde nas sub-tramas. Os personagens vivem os conflitos secundários (que são importantes e ocupam tempo) e o público nunca deixa de lembrar que há um perigo externo iminente lá fora, razão pela qual condicionam estas pessoas comuns em refugiados. Méritos de Zhang Yimou, que conduziu o filme sem nunca perder o fio narrativo.

Nota: 8,5










Ficha Técnica

Flores do Oriente (Flowers of War/ Jin Líng Shí San Chai) – 146 min
China, Hong Kong – 2011
Direção: Zhang Yimou
Roteiro: Heng Liu – Baseado no romance de Genling Yan
Elenco: Christian Bale, Paul Schneider, Ni Ni, Tong Dawei, Xinyi Zhang, Atsurô Watabe, Shigeo Kobayashi, Kefan Cao, Tianyuan Huang

Estreia: 25 de maio 

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  1. assisti hoje no play arte do shopping center3 av. Paulista - Sp. Ótimo filme. Se tiver a oportunidade, assista.

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