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Trinta

Crítica - Conspiração Americana

4 de maio de 2012



James McAvoy em cena do filme "Conspiração Americana"
A julgar pelos últimos dois filmes que dirigiu, Robert Redford assume um caráter sociológico da história norte-americana. Seja em registros mais recentes, como a Guerra no Afeganistão em Leões e Cordeiros (2007), seu penúltimo filme, no qual vive um personagem que é professor de ciências sociais, inclusive; ou, ao pesquisar uma memória mais antiga do passado estadunidense: o período de pós-guerra civil, quando o Norte, representado pela União, venceu o Sul dos Confederados e alguns destes planejaram depois se vingar matando o presidente da época, Abraham Lincoln, no dia 14 de abril de 1865, fato retratado em Conspiração Americana.

Com este pano de fundo, Redford conta a história, igualmente verídica, de Mary Surratt (Robin Wright, de Os Homens que não Amavam as Mulheres), a única mulher a ser acusada entre os sete outros homens também indiciados pelo assassinato do presidente. Sulista, Mary foi acusada de manter os rapazes na pensão com o único propósito de abrigá-los e esconder as armas para que eles e mais seu filho John Surratt (Johnny Simmons) e o ator John Wilkes Booth (Toby Kebbel) planejassem a morte de Lincoln.

"Conspiração Americana" apresenta um confronto entre indivíduo e instituição


Pôster brasileiro do filme "Conspiração Americana"
A pesquisa de Redford o levou a um ponto que rende sempre no cinema: a dialética entre o indivíduo e uma determinada instituição. O mérito do filme é que ele narra duas destas questões. Se Mary está em conflito entre a própria vida e sua família, o Secretário de Guerra (Kevin Kline) entra em choque entre o que aprendeu na academia e o que acontece na prática. Isso acontece quando ele descobre que existe uma dúvida cabível e, portanto, não teria como executar Mary. Tal momento lembra, mesmo que ligeiramente, o filme 12 Homens e uma Sentença, de Sydney Lumet, no qual 11 membros do júri estavam confiantes que o réu era culpado, enquanto um homem (Henry Fonda) acreditava que existia uma dúvida razoável passível à não condenação do acusado.

A opinião pública é ligeiramente comentada no filme de Robert Redford


Durante as duas horas de projeção, percebe-se a omissão da opinião pública diante de um caso tão notório. O que se sabe, em algumas falas, aparentemente despercebidas, é que a mídia vê o caso com total parcialidade: Mary é a culpada e para isso os jornais inventam fatos acerca de sua pessoa. Com isso, e por outros motivos também, depois do veredicto o advogado larga seu ofício para criar o que é atualmente um dos jornais mais populares dos Estados Unidos, o Washington Post. Mas é muito pouco, pois a morte de um líder dá a impressão de que o julgamento é um caso comum e a distância fica muito grande entre público e os envolvidos no tribunal. Aliás, o povo não existe no filme de Robert Redford.

"The Conspirator" tem uma introdução certeira e objetiva e atuações sustentáveis


Até a cena do início do julgamento, quando se estabelece o fim do prólogo, The Conspirator (no original) consegue passar todas as informações necessárias para o desenvolvimento do enredo, tudo isso sem ser prolixo. Uma introdução rápida e pontual que prende atenção do espectador. Outro mérito, desta vez individual, foi a rápida, porém sempre competente atuação de Tom Wilkinson. O ator, que é britânico, mostrou estar afiado com o sotaque norte-americano ao interpretar o defensor público Reverdy Johnson, mais tarde substituído por Frederick Aiken (James McAvoy), que sustenta o filme, juntamente com o restante do elenco; em especial Robin Wright, que faz um equilíbrio entre ser a vítima e uma mulher forte. A pesquisa de Redford, militante de causas ecológicas e indígenas, resultou em uma obra pesada, politizada, séria e madura, mas sem nunca comprometer o propósito de se fazer cinema, contar uma boa história.

Nota: 7 






Ficha Técnica

Conspiração Americana (The Conspirator) – 122 min
EUA – 2010
Direção: Robert Redford
Roteiro: James Solomon
Elenco: James McAvoy, Robin Wright, Kevin Kline, Tom Wilkinson, Evan Rachel Wood, Justin Long, James Badge Dale

Estreia: 4 de maio 

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