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Cena do filme Xingu
Quem teve a oportunidade de crescer assistindo ao Castelo Rá-Tim-Bum, gostou dos bicheiros da minissérie Filhos do Carnaval e/ou se emocionou com o olhar ingênuo do garoto sobre a ditadura militar em O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, sabe da alta qualidade e das doces emoções que Cao Hamburger proporciona em seus trabalhos; e não é diferente com o filme Xingu. Para completar, um trio de bons atores do cinema nacional representam os heróis: Felipe Camargo (de Jogo Subterrâneo e Som e Fúria), João Miguel (de Estômago e Cinema, Aspirinas e Urubus) e Caio Blat (de Bróder e As Melhores Coisas do Mundo).

Uma emocionante história livremente adaptada sobre os Irmãos Villas Bôas e a construção do Parque Nacional do Xingu


No Brasil de 1940, três irmãos estão em busca de aventura. Orlando (Felipe Camargo), Cláudio (João Miguel) e Leonardo (Caio Blat), os Irmãos Villas Bôas, desviando do bom caminho que já estava traçado, alistam-se junto com peões na Expedição Roncador-Xingu com o intuito de desbravar o Brasil Central. Durante a viagem descobrem que as terras onde nenhum homem foi e que o Governo acredita que não são de ninguém, na verdade, têm dono: os índios. Dessa descoberta ocorre o contato, a troca de culturas, o aprendizado de uma nova linguagem e tudo é registrado num diário chamado de A Marcha para o Oeste.

Pôster do filme Xingu
Aquilo que a princípio era para ser uma simples aventura consome a vida dos Irmãos Villas Bôas. Orlando, o mais velho, torna-se o articulador entre as etnias indígenas e o poder oficial; Cláudio fica junto dos índios e luta para garantir a existência das tribos; e o caçula Leonardo paga um preço alto por seu excessivo envolvimento. É desta forma que os Irmãos tornaram-se defensores dos índios e da respeitosa relação com a natureza numa época em que construções, desmatamentos e autoestradas são sinônimos do progresso e é essa tensão que o filme retrata, culminando na conquista do Parque Nacional do Xingu.

"Xingu" é a história de heróis brasileiros contada com belas imagens e ótimas atuações


As imagens do filme são lindíssimas e muito bem trabalhadas e os atores se destacam num trabalho exemplar, principalmente João Miguel, que define o seu personagem como um dos mais bonitos e complexos que já fez. Chama a atenção a participação de índios não-atores advindos de sete etnias, resultado de um trabalho delicado de preparação, pois eles representaram papéis que chegavam a ser similares à própria história e conseguiram entregar à obra uma característica singular e natural.

Como o filme tem como foco a história dos Irmãos e a luta inaugural pelos direitos indígenas, faltou pontuar um pouco mais do contexto histórico em que tudo está imerso. Logo, pessoas que não detêm um pouco deste conhecimento podem não entender as referências que Xingu coloca e, com isso, prejudicar o entendimento da história. Mas é fantástico poder ver um bom trabalho sobre uma das maiores riquezas que o Brasil ainda conserva.

Por: Paula Marcon
Nota: 8.5




Entrevista - Caio Blat, Felipe Camargo, João Miguel e Cao Hamburger (Xingu) por CinemaNaRede.





Ficha Técnica


Xingu – 103 min
Brasil – 2012
Direção: Cao Hamburger
Roteiro: Elena Soarez, Cao Hamburger, Anna Muylaert
Elenco: João Miguel, Felipe Camargo, Caio Blat, Maiarim Kaiabi, Awakari Tumã Kaiabi, Adana Kambeba, Tapaié Waurá, Totomai Yawalapiti, Maria Flor, Augusto Madeira, Fábio Lago

Estreia: 06 de abril 

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  1. Estou numa expectativa mór. Mal posso esperar para assistir!!

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  2. brasileiro tem que acabar com essa mania de assistir um filme como quem assiste um documentário da vida real....Trata-se de uma recriação artística da viagem e portanto passível de licenças e releituras cinematográficas.É apenas um filme para entreter,nada mais.

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  3. Gostei muito do filme. Cao Hamburguer rocks!

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