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Gina Carano em cena de "A Toda Prova"
No limiar entre espionagem e ação, A Toda Prova confere dinamismo pulsante em cenas de pancadaria, resultantes de uma trama intrigante e envolvente. Em alguns momentos o filme se estabelece sem diálogos, prendendo a atenção do espectador na troca de olhares e gestos entre protagonistas, para então se sucederem combates físicos bem encenados. As músicas comprimem também um forte tom de conspiração.

Soma-se ao entretenimento uma boa condução de câmera do ex-aposentado Steven Soderbergh. Não faz muito tempo, o realizador anunciou o fim de sua carreira como cineasta, alegando ter feito todos os tipos de enquadramentos e planos que o cinema poderia lhe oferecer, e que outras formas de arte estariam chamando sua atenção, como a pintura.

Pela segunda vez, Steven Soderbergh aposta em uma não atriz profissional como personagem principal


Cartaz nacional de "A Toda Prova"
Em um elenco predominantemente renomado (com Michael Douglas e Antonio Banderas, só para citar alguns), Gina Carano, a personagem principal, é a exceção do casting. Conhecida mais por lutar no MMA – Mixed Martial Arts, equivalente a um UFC feminino –, ela faz sua estreia como atriz e, no quesito socos e pontapés, a debutante saiu-se muito bem.

Não é a primeira vez que o versátil diretor Steven Soderbergh, que fez a ficção científica catástrofe Contágio, promove uma primeira experiência de artes cênicas. Em Confissões de uma Garota de Programa, para interpretar a prostituta do título, o realizador estadunidense chamou Sasha Grey, que até então era atriz pornô, já que encerrou suas atividades em 2011.

Flashback utilizado como mera alegoria à narração fílmica de "A Toda Prova"


Quando a premissa dramática é estabelecida, o filme se desenvolve quase todo desnecessariamente em flashback, para depois retomar a linearidade da história, com o desfecho. Isto é, o artifício é usado de forma supérflua, pois basta inverter o desenvolvimento com a introdução que a estrutura narrativa se mantém.

Outro recurso dispensável, durante o flashback, é o uso do preto-e-branco. Se em Traffic Soderbergh usa com astúcia diferentes tonalidades de cor para ambientar o “estado de espírito” de seus personagens na trama, contrariamente, em Haywire (no original), a sagacidade é deixada de lado para sofisticar à toa. Até porque, se for seguir a rigor o efeito do retrocesso cronológico, todo o desenvolvimento deveria ser feito em preto-e-branco.

Nota: 6 






Ficha Técnica


A Toda Prova (Haywire) – 93 min
EUA, Irlanda – 2011
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Lem Dobbs
Elenco: Ewan Mcgregor, Gina Carano, Michael Douglas, Michael Fassbender, Antonio Banderas, Bill Paxton, Channing Tatum

Estreia: 13 de abril 

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