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Cena do filme "A Perseguição"
The Grey – título original de A Perseguição mostra a luta pela sobrevivência de sete petroleiros do Alasca e de um responsável por zelar pela segurança da empresa petrolífera, matando lobos que ameaçam a vida dos trabalhadores. A caminho do encontro com seus familiares, o grupo sofre um acidente de avião, que os deixa em um local isolado, gélido e montanhoso. Sem contar o frio e a fome, Ottway, personagem de Liam Neeson (de Fúria de Titãs 2), é perito em lobos e acredita que o avião caiu exatamente no raio de uma alcateia, da qual faz parte o lobo mais selvagem, o lobo cinzento cuja cor dá nome ao filme e que, na realidade, quando aparece em cena, não aparenta ser tão cinzento assim...

A história, com um início ajustado, bem narrado pela voz significante em off de Liam Neeson, e a apresentação silenciosa de como é o serviço de seu personagem, integra um bom ponto de partida para desenvolvimento. Mas é só. “Viver e morrer neste dia”, um lema dito por Ottway, e usado como amuleto para as adversidades da vida, e para o público, um convite à dedução do epílogo, é só explicado no final, revelando as mazelas do roteiro.

Em "A Perseguição", até morte por asfixia de personagem não pasma


Cartaz nacional do filme "A Perseguição"
Diferentemente dos outros coadjuvantes, o personagem Diaz (interpretado por Frank Grillo) tenta furtar carteiras dos falecidos do acidente, diz não estar com medo, vai contra toda decisão do personagem de Liam Neeson e, ainda assim, tem um destino relativamente confortável em comparação aos seus colegas. E é em uma cena de um desses destinos trágicos deles, que o filme, até então competente, revela outra mazela. Em plano fechado, o personagem que tem que atravessar um penhasco, parece ser verossímil; já em plano aberto, a cena fica nítida de que se trata de uma gravação dentro de um estúdio.

E a produção foi feita por Ridley Scott e Tony Scott, diretores e irmãos acostumados a gastarem uma verba considerável. Só em filmes como Robin Hood (de Riddley) e O Sequestro do Metrô 123 (de Tony) foram gastos 300 milhões de dólares. Em The Grey os personagens coadjuvantes são blocos ambulantes, sem perfil próprio. Se os sobreviventes da queda do avião já não tinham carisma, quiçá os mortos. As cenas tentam comover em vão. Ora até breves, como a prece por aqueles que morreram no desastre, ou arrastadas, quando um personagem fala da saudade de sua filha. Até morrer de debaixo d’água parece não ser tão asfixiante assim, pois o roteiro propicia um não envolvimento com o que se passa com os personagens.

"The Grey" faz referência ao filme "Vivos" (1993), recorrente em sessões da tarde


Fazer referência a outro filme, cujo enredo é o mesmo um acidente de avião –, é uma tentativa válida para desviar atenção do público em relação à sua verossimilhança. Ainda mais se ela for a tom de deboche. Mas, é claro, a referência de A Perseguição com o longa baseado em um acidente verídico na Cordilheira dos Andes, no Chile, chamado Vivos (1993), só fará sentido aos cinéfilos de plantão.

Nota: 2,5





Ficha Técnica


A Perseguição (The Grey) – 117 min
EUA, Canadá – 2011
Direção: Joe Carnahan
Roteiro: Joe Carnahan, Ian Mackenzie Jeffers – Baseado no conto Ghost Walker
Elenco: Liam Neeson, Frank Grillo, Dermot Mulroney, Dallas Roberts, Joe Anderson, James Badge Dale, Anna Openshaw

Estreia: 20 de abril 

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