0


Antonio Banderas em cena de "O Princípe do Deserto"
A cena inicial de O Príncipe do Deserto (Black Gold, no original) dá as cartas do que poderia ser um filme muito bom: o encontro de dois homens poderosos e seus séquitos no meio de uma imensidão desértica marcada por animais e soldados mortos em guerra (nos papéis do Emir Nesib e do Sultão Ammar estão Antonio Banderas, de A Pele que Habito, e Mark Strong, de John Carter). Uma negociação de paz é travada num curto diálogo e os dois filhos do derotado Ammar são dados a Nesib como garantia. Em poucos minutos, são introduzidas as características mais aparentes das personalidades dos líderes, deixando claro um dualismo que percorrerá a trama, e a peculiaridade da “Terra de Ninguém” em que pisam, chamada de “Faixa Amarela”.

"Black Gold" apresenta o Dualismo Tradição x Progresso com a chegada do Petróleo


O diretor bissexto Jean-Jacques Annaud (dos memoráveis O Nome da Rosa e A Guerra do Fogo) desenvolve, então, um enredo em que tradição e o progresso se deparam constantemente a partir da descoberta de petróleo por norte-americanos, o que leva riqueza ao Emirado de Hobeika, governado por Nesib. São vistos diálogos interessantes sobre a modernidade tendo como pano de fundo os dogmas religiosos.

Cartaz nacional de "O Princípe do Deserto"
Torna-se fundamental ao desenrolar do roteiro o personagem Auda (o bom ator Tahar Rahim, premiado por O Profeta), filho de sangue de Ammar, criado por Nesib e expressão maior do dualismo apontado desde o princípio. Num dos vários sintomas de irregularidade que crescem à medida que o tema inicial vai tomando caminhos tortuosos, uma princesa de nome Leyla (a linda Freida Pinto, de Planeta dos Macacos: A Origem), filha de sangue do poderoso de Hobeika, ganha poucas cenas num relacionamento amoroso com Auda. Este parte da ingenuidade como um simples bibliotecário à liderança de multidões em batalhas num intervalo em que sua figura poderia ser delineada com melhores diálogos e cenas.

Uma boa história que perde o fôlego em "O Príncipe do Deserto"


O Príncipe do Deserto parece sofrer da tentativa de acertar vários alvos em pouco tempo: tecer considerações sobre relações de poder, influência do “ouro negro” na cultura árabe e questões religiosas. Poderia até conseguir, mas acaba por errar a mistura, relegando certos personagens ao esquecimento, traçando motivações rasas para outros, carimbando cenas com uma trilha sonora grandiloquente demais (do onipresente James Horner, de Titanic, Avatar, entre outros), criando subtramas dispensáveis e, sobretudo, sendo incapaz de causar impacto ou identificação.

Uma curiosidade interessante: as filmagens ocorreram à época do alvorecer da Primavera Árabe, que começava a revolucionar sistemas de poder cristalizados por anos. Se o intento do bom diretor francês era um filme tão épico quanto a realidade que estremeceu vários países do Oriente Médio, o resultado foi mediano.

Por: Rafael Fabro
Nota: 6 





Ficha Técnica


O Príncipe do Deserto (Black Gold) – 130 min
França, Itália, Qatar, Tunísia – 2011
Direção: Jean-Jacques Annaud
Roteiro: Menno Meyjes, Jean-Jacques Annaud, Alain Godard – Baseado no romance Arab, de Hans Ruesch
Elenco: Antonio Banderas, Mark Strong, Akin Gazi, Tahar Rahim, Corey Johnson, Freida Pinto, Riz Ahmed, Liya Kebede

Estreia: 13 de abril 

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top