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Festa no Céu

Crítica - O Homem que não Dormia

24 de abril de 2012



Logo de cara, vale a pena informar que O Homem que não Dormia possui características que o fazem alvo garantido de duras críticas de quem o assiste, críticas quase unânimes entre o espectador cinéfilo e o médio. Mas antes de elucidar essas características tão marcantes da obra, vale falar um pouco do filme sem elas, para que seja possível vislumbrar um lado muito rico, que facilmente passa despercebido, ou melhor, que se esconde atrás de imagens negativamente chocantes.

Um retrato da riqueza cultural popular no filme de Edgard Navarro


Cena do filme "O Homem que não Dormia"
A sinopse do filme é simples: alguns moradores excêntricos de uma minúscula cidade começam a receber presságios, geralmente em pesadelos, da chegada de um andarilho misterioso que, de alguma forma, irá interferir profundamente na vida de todos; e isso os apavora. Mas durante o desenrolar da trama, o conflito se abre bastante para o bem e para o mal.

O longa do cineasta baiano Edgard Navarro encadeia uma série de cenas sem uma conexão muito lógica entre si, que mais parecem recortes de um passado semi-esquecido da nossa herança cultural popular. Quem já teve contato com a obra de escritores latinos como Gabriel García Márquez, João Guimarães Rosa ou Jorge Luis Borges, poderá identificar certa semelhança entre esses universos e a cidade do filme, ao mesmo tempo realista e fantástica.

O que reforça essa impressão são, principalmente, o elenco e as locações usadas para rodar o longa, tão reais que nos fazem lembrar principalmente do lado verdadeiro dessa mistura indissolúvel de realidade e fantasia latino-americana. Lembrando principalmente García Márquez, é como se O Homem que não Dormia fosse um relato de um adulto sobre a cidade de fantasia de sua infância. As palavras são de um adulto, mas os depoimentos são recheados de lendas, personagens caricatos da cidade comuns a todas elas , medos infantis, histórias aumentadas, tradições religiosas e por aí vai.

Pôster do filme "O Homem que não Dormia"

O que salta aos olhos em "O Homem que não Dormia"


Mas tudo isso quase não aparece, ou fica em segundo plano, quando o diretor escolhe usar uma quantidade exagerada de cenas aparentemente desnecessárias. Cenas de nudez frontal, com close nos órgãos sexuais dos atores, e diversas delas com os personagens urinando às vezes em si mesmos permeiam todo o filme. Essas são as imagens mais chocantes e, provavelmente, as que ficarão presas na memória da plateia, mas os problemas não se limitam a isso.

O Homem que Não Dormia possui uma narrativa confusa, com um fio condutor cheio de arestas, e detalhes importantes mal explicados. Além disso, existe um excesso de loucura que cansa já no começo da história. Apesar de poder contar com personagens muito bem construídos e variados, a maioria deles recebe uma dose cavalar de esquizofrenia e há uma insistência quase doentia em mostrar os acessos de loucura desses personagens, em cenas que parecem intermináveis.

É difícil falar sobre um filme tão forte, e as opiniões sobre este trabalho de Edgard Navarro tendem a ser diversas. Para quem está mais inserido no universo da arte contemporânea, as imagens apresentadas em O Homem que não Dormia podem não ser tão chocantes assim, e até interessantes. Mas, definitivamente, não é um trabalho para o grande público.

Nota: 3






Ficha Técnica

O Homem que não Dormia – 99 min
Brasil – 2011
Direção e Roteiro: Edgard Navarro
Elenco: Fábio Vidal, Evelin Buchegger, Bertrand Duarte, Ramon Vane, Mariana Freire, Nélia Carvalho, Luís Paulino, Bertran Duarte, Fernando Fulco, Rui Manthur

Estreia: 27 de abril

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