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Johnny Depp em cena de "Diário de um Jornalista Bêbado"
Um filme no qual o protagonista é um jornalista, por muitas vezes, destina-se a chegar ao lugar comum, pois o conflito se alimenta a partir de um desejo idealista do profissional perante uma ideia oposta da linha editorial, a qual, aparentemente, parece ser uma ordem direta do editor-chefe, quando, na prática, são os anunciantes os detentores da suprema autoridade do conteúdo do jornal impresso.

Geralmente o conflito é trazido para um viés dramático; entretanto, Diário de um Jornalista Bêbado, filmado na capital de Porto Rico, San Juan, e ambientado nos anos 1950, destrincha o argumento para uma faceta cômica. Para enfatizar a comédia, a atenção se volta às mancadas do repórter, que, como diz o título, é uma esponja, ou então, um “bebedor da extremidade superior do social”, como se autodefine Paul Kemp, personagem de Johnny Depp (de O Turista). O diretor e roteirista Bruce Robinson, que não dirigia um filme desde 1992, quando lançou Jennifer 8: A Próxima Vítima, soube explorar bem o talentoso Depp, incluindo momentos em que o ator encenava sozinho com traquejos e persona de um bêbado ou de alguém com ressaca.

Personagem de Johnny Depp chega a animar, mas "Diário de um Jornalista Bêbado" não decola


Cartaz nacional de "Diário de um Jornalista Bêbado"
Ao mesmo tempo em que é engraçado e divertido assistir ao personagem de Depp tomando todas, o filme força o enfoque desta situação. À medida em que a trama se desenrola, nota-se que o álcool não é o combustível para as trapalhadas de Paul Kemp, e sim seu colega de profissão Sala (Michael Rispoli) e o doidão Moberg (Giovanni Ribisi). O gancho da história é o próprio desenrolar das articulações premeditadas de cada um dos personagens.

As aparições iniciais de Sanderson, representado por Aaron Eckhart (de Reencontrando a Felicidade), são aleatórias demais, sem explicações. Parece ter havido uma falta de cuidado com o personagem, já que suas pretensões se baseavam em estratégias friamente calculadas para conseguir o que deseja. Ele queria usar o bebum Paul Kemp para escrever uma matéria parcial sobre um grupo de investidores que querem comprar uma ilha e construir um extenso resort. Manipulador, ele dá credibilidade à Kemp citando-o como redator do New York Times.

Um personagem desses merecia mais atenção. Seria mais interessante enriquecê-lo ao público, que pode se perguntar: Como ele chega até Kemps? Como ele sabe que o jornalista norte-americano está em Porto Rico? A equipe de produção de Diário de um Jornalista Bêbado talvez já tivesse consciência de que o filme não tinha um bom roteiro adaptado e persistiu astutamente, extraindo o que ele poderia oferecer de melhor: as cenas divertidas com a habitual excelência de Johnny Depp.

Mais uma parceria de Johnny Depp com o falecido escritor e jornalista Hunter Thompson


É a segunda vez que Depp participa de um filme baseado na literatura de Hunter Thompson. O debut foi a adaptação vertiginosa, porém excelente, Medo e Delírio, de Terry Gilliam (de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus). Foi deste encontro que o ator iniciou uma amizade com o escritor, relação que se encerrou mais tarde, em 2005, com o suicídio de Hunter. Depp chegou a bancar, inclusive, todos os custos do enterro.

Nota: 4,5 






Ficha Técnica

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary) – 120 min
EUA – 2011
Direção: Bruce Robinson
Roteiro: Bruce Robinson – Baseado no romance de Hunter S. Thompson
Elenco: Johnny Depp, Amber Heard, Aaron Eckhart, Giovanni Ribisi, Richard Jenkins, Karen Austin

Estreia: 20 de abril 

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  1. Gostei do filme,
    não é um filme fácil, o humor e as críticas são sutis na maior parte do tempo.

    Achei que a crítica foi falha em dar um background de quem foi o Hunter S Thompsom, e falar sobre jornalismo gonzo.

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  2. O Hunter S. Thompsom foi o responsável pelo jornalismo Gonzo, que tem tudo a ver com a história do filme. Achei que seria válido dar uma pincelada, sim, Lucas.

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