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Todos estamos acostumados com aqueles filmes de romance envoltos em camadas e mais camadas de misticismo, de coincidências impossíveis, de jornadas mirabolantes. Esse tipo de filme acaba removendo um pouco da credibilidade que as pessoas da vida real depositam na possibilidade de contato com o que chamam de amor. Pois bem, Giovanni Veronesi apresenta As Idades do Amor para tentar acender a esperança de amor no mundo real. Através de três histórias, envolvendo diferentes personagens, o diretor aborda como pessoas aparentemente comuns, com vidas que muitas vezes podem ser semelhantes às do espectador, tem contato com o amor. O filme italiano trata do amor com, além de bom humor em alguns momentos, simplicidade.

Três formas de sentir o amor em três diferentes fases da vida em "As Idades do Amor"


Robert De Niro e Monica Bellucci em cena do filme "As Idades do Amor"
As Idades do Amor é pontuado por uma versão repaginada para a realidade atual de um cupido taxista (Vittorio Emanuele Propizio), que introduz três histórias peculiares, de três homens em diferentes fases da vida. O primeiro é Roberto (Riccardo Scamarcio, de O Primeiro que Disse), um jovem advogado metódico e organizado, que se encontra prestes a casar com Sara (Valeria Solarino). Roberto tem uma oportunidade de mostrar seu potencial profissional indo para um vilarejo da Toscana tentar resolver um assunto de trabalho e, nessa viagem, ele acaba conhecendo a bela e provocante Micol (Laura Chiatti, de Um Lugar Qualquer), cujo espírito aventureiro lhe fará se sentir jovem como há muito tempo não se sentia.

O segundo protagonista do filme é Fabio (Carlo Verdone), um conhecido apresentador de um telejornal, casado e com uma filha já crescida, que encontra por acaso em uma festa Eliana (Donatella Finocchiaro), que se apresenta como uma sensual psicóloga. Fabio tem um caso rápido com Eliana, mas vê sua vida se tornar, com uma pitada de humor, um inferno com o desenrolar dessa história. Por fim, acompanhamos a história de Adrian (Robert De Niro, principal nome do filme, de Noite de Ano Novo e Sem Limites), um professor de história que saiu dos EUA e foi morar em Roma após se divorciar.

Adrian é um homem que já tem certa idade, já passou por inúmeras experiências na vida (inclusive um transplante de coração) e não busca conhecer nova mulheres, mas o destino se encarrega de fazer com que o homem se sinta balançado ao conhecer Viola (Monica Bellucci, de A Paixão de Cristo, Irreversível e Lágrimas do Sol). Até aí tudo bem, se Viola não fosse a filha de seu melhor amigo, Augusto (Michele Placido).

Pôster nacional do filme "As Idades do Amor"
Todas as três histórias aparentemente buscam a identificação do público, ao tratar de pessoas normais que estão, em algum nível, falhando, tomando escolhas erradas e tendo dúvidas do que fazer. Não são super inteligentes, super bonitos, super homens. São pessoas comuns e, assim como na vida real, nem em todas as histórias as coisas terminam totalmente bem, mas ensinam, involuntariamente, alguma nova lição de vida para os personagens em questão.

"Manuale d'Am3re" conta com personagens humanizados, mas panos de fundo muito rasos para histórias complexas


Manuale d'Am3re (no original) trata de temáticas que renderiam grandes dramas, mas o filme é arquitetado de forma que uma pincelada de comédia alivie qualquer carga mais dramática que possa se insinuar no decorrer das histórias. Os personagens cometem erros grotescos e entram em situações bobas por conta de amor, paixão ou sexo. O longa não tenta usar fórmulas prontas, o que lhe garante uma originalidade que foge de fórmula que mostra que fazer o que seria correto garante uma gratificação no final ou que vilões são punidos.

Aliás, a própria questão de vilões e mocinhos é ignorada: todos são seres humanos complexos e cheios de falhas. E, assim como os personagens, o amor também surge de forma complicada, como é de se esperar. Apesar de não haver atuações ruins entre os protagonistas, as cenas finais são roubadas por Robert De Niro e Monica Bellucci, que, assim como em todo o filme, conseguem ter química com leveza e simplicidade dignas dos grandes atores.

Contudo, As Idades do Amor é de alguma forma um pouco cansativo. Apesar de serem pequenas histórias em separado, ao chegar na terceira, temos a impressão que vamos ser introduzidos no terceiro filme, ralo e superficial, até por não terem tempo de se desenvolverem mais. Apesar dos personagens fugindo de modelos prontos, os panos de fundo passam por vezes por momentos um pouco abobalhados. A cena de Roberto na água com os amigos de uma semana, que já agiam como se fossem amigos de uma vida inteira, seria bonita se não fosse surreal demais.

Os diálogos do longa também poderiam ser mais bem elaborados, de forma a garantir que fosse gerada a veracidade que a obra intenciona apresentar. No mais, o filme é tranquilo e pode-se dizer que é agradável. As Idades do Amor diverte, mas também é a única coisa que proporciona. É mais um desses filmes se para assistir durante a tarde, sem pretensões, para se distrair. Simplesmente e apenas isso.

Nota: 7 






Ficha Técnica

As Idades do Amor (Manuale d'Am3re) – 125 min
Itália – 2011
Direção: Giovanni Veronesi
Roteiro: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti, Andrea Agnello
Elenco: Robert De Niro, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Michele Placido, Laura Chiatti, Donatella Finocchiaro, Valeria Solarino, Carlo Verdone, Daniele Pecci, Marina Rocco

Estreia: 27 de abril 

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