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Um Método Perigoso é a mais nova produção do competente diretor e cineasta canadense David Cronenberg (de Senhores do Crime), que aborda uma histórica e contundente rixa e parceria entre dois psicanalistas consagrados – Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender, de Shame) –, em torno de um objetivo: solucionar casos como o da bela Sabina Spielrein (Keira Knigthley, de Não Me Abandone Jamais), uma jovem desequilibrada, que, apesar de nunca ter mantido relações sexuais, sente-se visivelmente excitada e motivada a quaisquer movimentos que possam remeter ao ato. 

Veia Cronenberguiana e belíssima fotografia são evidentes em Um Método Perigoso


Cena do filme Um Método Perigoso
Com um orçamento no valor de 15 milhões de Euros e a inspiração vinda da peça The Talking Cure, de Christopher Hampton (que também assina o roteiro), o diretor David Cronenberg conseguiu transformar um fato histórico em mais um de seus brilhantes filmes. E é possível identificar algumas de suas abordagens frequentes, como a cultura, a medicina e sua maneira inteligente de linkar tudo isso, transformando a história em uma coerente obra cinematográfica.

A atuação de Keira Knightley como a moça russa Sabina é impecável, principalmente no início do longa, no qual ela consegue transparecer seu transtorno e a submersão de seus repúdios, medos e ao mesmo tempo prazeres, capazes de deixar o espectador aflito e capaz de sofrer a melancolia junto com ela. O conflito entre Jung e Freud se estabelece por conta de seus pensamentos serem divergentes, quando se trata do tratamento de pacientes com problemas psicológicos e psiquiátricos. 

Enquanto Freud acredita, afirma e se mantém inatingível a qualquer outra opinião, em que toda neurose tem uma ligação preliminar ao sexo, Jung tem a certeza de que existe uma força mística e que nada é coincidência. Para Jung, o paciente não deve querer descobrir o que o atormenta, e sim decifrar o que ele quer ser, para daí então saber quem realmente é. A incrível maneira como é retratada a paixão entre médico e paciente é bonita, voraz, mas ao mesmo tempo, sutil.

Pôster nacional do filme Um Método Perigoso
Conflitos existenciais e de culpa também dão um toque de realidade à trama, bem como a aparição de um ‘paciente-médico’, Otto Gross (Vincent Cassel, de Cisne Negro), um rapaz persuasivo e com um poder de convencimento impressionante. Nem mesmo os sábios escapam de uma boa lábia, isso é muito interessante. Os pormenores fascinantes de Um Método Perigoso são os cenários de época, que enfatizam a beleza e sutileza tanto das paisagens, quanto dos personagens, e o resultado é uma bela fotografia, perceptível e encantadora, em cada detalhe, em cada cena. Realmente, de extremo bom gosto. 

Monotonia de A Dangerous Method pode cansar espectador desavisado


Apesar de o filme carregar consigo um tom e a caracterização de um drama, e isso consequentemente acarretar em cenas menos impetuosas, Um Método Perigoso não faz a linha ‘que prende a atenção de qualquer tipo de público’. Em alguns momentos, torna-se estático, as falas são bem articuladas e quem assiste forçosamente deve se atentar a esse detalhe, já que os quadros são extensos e sem nenhum tipo de ‘ação’, no sentido do gênero mesmo, em que se trata de atos que façam o filme se mover e acelerar o coração do espectador.

Por isso o longa pode causar controvérsias em relação à direção, já que tem um caráter mais formal, sem o intuito de causar um horror premeditado, mas sim de conhecer a história, as visões de grandes nomes e, ironicamente, nos fazer lembrar do velho ditado: “Nem Freud explica”, porque, possivelmente, Freud tinha seus ‘inimigos’, que contestavam suas teorias, assim como Jung.

Nota: 8,5





Ficha Técnica


Um Método Perigoso (A Dangerous Method) – 100 min 
Canadá, Alemanha, Inglaterra, Suíça – 2011 
Direção: David Cronenberg
Roteiro: Christopher Hampton – Baseado no livro A Most Dangerous Method, de John Kerr, e na peça teatral The Talking Cure, do próprio Christopher Hampton 
Elenco: Michael Fassbender, Keira Knigthley, Viggo Mortensen, Vincent Cassel, Wladimir Matuchin, Katharina Palm, Aaron Keller

Estreia: 30 de março

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  1. MARAVILHOSOOOO ! O filme é muito bomm... estou apaixonada pelo fimle ja assisti 2 vezes, só estou triste pelo fato de não poder ver no cinema pq aqui em guarulhos nãoo veioo :( MAIS o filme é brilhante ja assisti duas vezes e leveii pra faculdade o pessoal tbm adoro!!!!

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