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Nascido na Bahia, fã de Elvis Presley e dotado de uma personalidade leve e uma ginga agitada, Raul Seixas é um dos poucos músicos brasileiros que continua vendendo e muito mesmo depois de morto. Sua mistura de rock com baião em plenos anos 1970 é até hoje reverenciada como o nascimento do rock'n'roll genuinamente brasileiro. Suas canções, com parcerias tão inusitadas quanto com o célebre escritor Paulo Coelho, ainda embalam corações. Com uma vida amplamente pública e registrada, o cantor deixou à disposição vinte e seis discos, toneladas de memorabília, horas e mais horas de gravação e uma legião de fãs. 

Faltava, no entanto, alguém com disposição e sensibilidade para juntar todo esse material e trazê-lo a público nos cinemas. E o diretor Walter Carvalho, que também assina Cazuza: O Tempo Não Pára e Budapeste, contemporâneo do cantor, foi esse alguém. Reunindo imagens de arquivo com depoimentos atuais, Carvalho usa uma fórmula de documentário já conhecida, mas sempre funcional. Sem fugir dos clichês, já que o próprio retratado se tornou um, ele os abraça e ainda conta com a sorte para trazer o inusitado. A pesquisa é ampla, e tanto figuras famosas quanto obscuras da vida de Raul foram resgatadas, inclusive do anonimato. Amigos, parentes, mulheres, cada um contribui com um pedacinho da vida do astro, mas o todo não é uma figura só: é o próprio Raul, uma metamorfose ambulante. Fale-me de clichês! 

Raul Seixas é retratado no cinema por Walter Carvalho com início, fim e meio


O que Raul: O Início, o Fim e o Meio traz de diferente é a visão de um ídolo a partir daqueles que não o viam como tal. Desde colegas de trabalho até as filhas do pai do rock, cada entrevistado tem sua visão do homem Raul, e é essa construção, multifacetada, terrena, humana, que faz o brilho do filme. Já tendo retratado outros ídolos na forma de ficção, Carvalho não poderia retratar Raul Seixas senão na forma de um documentário, já que a vida do cantor parece tudo, menos a realidade. E no entanto ela está lá, presente nas lágrimas, nos sorrisos e no legado que Raul Seixas deixou. 

É um filme que deve ser visto. Tanto quem conheceu o maluco beleza quanto quem só ouviu as músicas no rádio vão se deliciar com a figura que é o Raul Seixas. E aqueles que ajudam a manter a lenda viva, que se reúnem nos encontros sobre Raul, que contam e recontam suas histórias, vão se sentir homenageados. Raul: O Início, o Fim e o Meio se presta a fazer a manutenção do mito, não a desmistificar sua existência.

Por: Stefano Aguiar
Nota: 9




Entrevista - Walter Carvalho (Raul: O Início, o Fim e o Meio) por CinemaNaRede.

Ficha Técnica

Raul: O Início, o Fim e o Meio
Brasil – 2011
Direção: Walter Carvalho, Leonardo Gudel (co-diretor) 
Roteiro: Leonardo Gudel
Com: Plínio Seixas, Paulo Coelho, Waldir Serrão, Caetano Veloso, Daniel de Oliveira, Tom Zé, Roberto Menescal, Luiz Carlos Maciel, Marcelo Nova, Tárik de Souza, André Midani

Estreia: 23 de março

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