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Sabe aquele filme tão fiel às fórmulas rasas (ênfase na palavra ‘rasas’) do entretenimento, que ao fim da sessão, a primeira lembrança que vem em mente é de um compromisso sério nas próximas horas, ou no dia seguinte? O longa Fúria de Titãs 2, do diretor Jonathan Liebesman (de Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles) é o mais novo exemplar cinematográfico desta casta. Apesar de não ser uma catástrofe, a obra em nenhum momento decola. A aventura mitológica tem êxitos técnicos, mas não sai das mesmices provocadas por um roteiro simplório, com personagens exageradamente planos. E vamos à história.

Cena de Fúria de Titãs 2

A continuação de "Fúria de Titãs" é marcada por roteiro previsível e personagens frágeis


Após enfrentar o poderoso monstro Kraken, Perseus (Sam Worthington, de À Beira do Abismo), um semideus filho de Zeus, tenta esquecer os duelos divinos e viver de forma pacata como pescador na companhia do filho Helius. No entanto, o semideus precisa voltar à ativa, pois o maléfico Cronos está cada vez mais forte e pretende destruir o mundo, com o apoio de Hades e de Ares, filho de Zeus. Ambos passaram para o lado do inimigo e sequestraram Zeus. Com o apoio de Agenor, filho de Poseidon, e da rainha Andrômeda, Perseus embarca numa aventura para salvar o pai e evitar que a Terra seja destruída.

Fúria de Titãs 2 tem um desenvolvimento leve e o roteiro busca ser bem explicado, para não deixar desnorteados os que não assistiram ao primeiro Fúria de Titãs. Ok, consideremos um mérito. Mas não há mais o que se elogiar no script. Transbordando previsibilidade, a aventura mitológica arrasta-se com um encadeamento narrativo que jamais escapa das fórmulas do gênero aventura épica (nesse caso, para menores de 10 anos). Os personagens não escapam dos arquétipos. Há os que aspiram introduzir dosagens de humor, o que – decisivamente – não funciona. O protagonista, por outro lado, é o típico guerreiro íntegro, que a priori não que lutar como semideus por motivos pessoais, mas logo embarca na jornada “épica”; a mocinha da história, Andrômeda (Rosamund Pike, de O Retorno de Johnny English), tem espaço pífio em cena, deixando a impressão de que só aparece para viver uma história de amor com o protagonista em algum momento.

Os bons efeitos especiais não salvam "Fúria de Titãs 2"


De clichê em clichê, Fúria de Titãs 2 reserva alguns bons momentos de ação. As sequências são bem orquestradas, e o 3D funciona. Mas é só isso. Jovial ao extremo, e insossa elevada ao cubo, a sequência de Fúria de Titãs é aquele tipo de filme do qual este que aqui escreve não conseguiria escapar de um chavão no encerramento desta crítica: Programa perfeito para a Sessão da Tarde. Entre ele e Malhação, o que é mais esquecível? Difícil de responder.

Nota: 5





Ficha Técnica


Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans) – 99 min
EUA – 2012
Direção: Jonathan Liebesman
Roteiro: Dan Mazeau, David Leslie Johnson
Elenco: Sam Worthington, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Édgar Ramírez, Toby Kebbell, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston

Estreia: 30 de março

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