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O acontecimento mais esperado do ano em qualquer calendário cinéfilo é o Oscar; não pela premiação em si, que é marcada por injustiças históricas, mas pela pompa de um evento que movimenta a indústria cinematográfica, e seu público, como nenhum outro. Mesmo que não seja o prêmio mais respeitado do mundo, como são os festivais de Berlim, Cannes e Sundance, por exemplo, o Oscar é, sem dúvidas, o maior, o mais grandioso. Que atire a primeira pedra o cinéfilo que nunca participou de um bolão e vibrou por acertar quem ganhou determinada estatueta...

Um pouco da história do Oscar


Desde 1929, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas premia os artistas e obras que mais se destacaram no ano anterior à premiação. Mas, enquanto personalidades da sétima arte fazem campanhas e escolhem determinados filmes ou papéis considerados estratégicos para levarem uma estatueta para casa, há quem não se importe com o prêmio máximo de Hollywood. O polêmico Charlie Chaplin, que ganhou um Oscar na primeira edição da premiação, pelo filme O Circo, usou sua estatueta como descanso de porta (isso mesmo que você leu) e, provavelmente por isso, filmes geniais como O Grande Ditador e Monsieur Verdoux não foram premiados, e Luzes da Cidade e Tempos Modernos não foram sequer indicados ao Oscar.

Mas, em 1972, Chaplin fez as pazes com a Academia e recebeu um prêmio pela trilha sonora de Luzes da Ribalta. Com mais de 80 anos e visivelmente emocionado, o eterno Carlitos foi ovacionado. Já Woody Allen não compareceu à cerimônia nas vezes em que venceu os prêmios de melhor filme, roteiro e direção por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977) e melhor roteiro por Hannah e Suas Irmãs (1986) e muito menos quando foi apenas indicado (em 18 categorias). Mas, em 2002, no Oscar posterior aos atentados de 11 de setembro, Woody finalmente compareceu ao evento e prestou uma homenagem à cidade de Nova York, cenário de quase todos os filmes do cineasta. Pra variar um pouco, nesta edição de 2012, na qual concorria por Meia Noite em Paris, Woody novamente se ausentou, assim como Terrence Malick, que concorria por A Árvore da Vida.

O consagrado ator Marlon Brando pegou mais pesado. Ativista em favor dos direitos humanos e dos indígenas na década de 1960, chegou a recusar um Oscar, como forma de protesto. Quando ganhou a estatueta de melhor ator por O Poderoso Chefão (1972), Brando enviou uma índia para receber, ou melhor, recusar, o prêmio em seu lugar, mas depois descobriu-se que ela era uma atriz. Mas os artistas que não dão a mínima para a cerimônia mais famosa da sétima arte são minoria. Os responsáveis por Ben-Hur (1959), Titanic (1997) e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003) devem se orgulhar em dizer que ganharam 11 estatuetas por seus filmes e que são os maiores vencedores da história do Oscar.

As injustiças do Oscar


E as injustiças? Ah, as injustiças... Para começar, Cidadão Kane (1941), considerado o melhor longa da história do cinema, não venceu o Oscar de melhor filme. Outros clássicos que marcaram gerações, como Laranja Mecânica (1971), Taxi Driver (1976) e Apocalypse Now (1979) também não levaram a estatueta para casa. E o que dizer da brasileira Fernanda Montenegro em Central do Brasil, que perdeu o Oscar de melhor atriz para Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado? E Ellen Burstyn, de Réquiem para um Sonho, que perdeu para Julia Roberts, por Erin Brockovich? Há quem defenda determinados filmes ou artistas como quem defende seu time de futebol do coração. É assim no universo cinéfilo. E viva a sétima arte!

Os vencedores do Oscar 2012


Na edição de 2012 não podemos dizer que houve grandes surpresas. Como era esperado, O Artista foi o grande vencedor da noite. O longa francês, mudo e em preto-e-branco, homenageia a história da sétima arte com uma trama que se passa na transição do cinema mudo para o falado. Foram cinco estatuetas no total (filme, diretor, ator, figurino e trilha sonora). Seu maior concorrente, A Invenção de Hugo Cabret, que também faz uma bela homenagem ao nascimento do cinema e sua popularização como arte, conquistou o mesmo número de prêmios, mas técnicos (direção de arte, fotografia, edição de som, mixagem de som e efeitos visuais).

Meryl Streep, recordista de indicações, finalmente voltou a vencer na categoria atriz. Claro que é um prêmio muito merecido, pois se trata da melhor atriz de sua geração, mas por que não torná-la hors concours de uma vez por todas? Assim a excelente Viola Davis poderia ganhar por seu trabalho em Histórias Cruzadas. Dentre os mais indicados, fez bastante falta Ben Kingsley, que tem uma atuação impecável em Hugo. E, apesar da qualidade da obra de Martin Scorsese, Planeta dos Macacos: A Origem deveria ter levado por efeitos visuais, pelo incrível trabalho de construção de movimentos e expressões dos símios. Em relação ao Brasil, novamente não foi a vez do Oscar vir para terras tupiniquins. Confira a lista completa dos vencedores da 84ª edição do Oscar:

    Melhor filme: O Artista
    Melhor ator: Jean Dujardin (O Artista)
    Melhor atriz: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
    Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
    Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
    Melhor diretor: Michel Hazanivicous (O Artista)
    Melhor roteiro adaptado: Os Descendentes
    Melhor roteiro original: Meia Noite em Paris
    Melhor filme em língua estrangeira: A Separação (Irã)
    Melhor longa de animação: Rango
    Melhor trilha sonora original: O Artista
    Melhor canção original: Man or Muppet (Os Muppets)
    Melhores efeitos visuais: A Invenção de Hugo Cabret
    Melhor maquiagem: A Dama de Ferro
    Melhor fotografia: A Invenção de Hugo Cabret
    Melhor figurino: O Artista
    Melhor direção de arte: A Invenção de Hugo Cabret
    Melhor documentário: Undefeated
    Melhor documentário de curta-metragem: Saving Face
    Melhor curta: The Shore
    Melhor curta de animação: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
    Melhor edição de som: A Invenção de Hugo Cabret
    Melhor mixagem de som: A Invenção de Hugo Cabret

    Obs.: os títulos clicáveis direcionam às críticas dos filmes. Confira!



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    1. Texto completo, mais além do que as meras listas de vencedores que se publicam por aí. Por isso que sou sua fã!!!
      Beijos, sua Daisy.

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