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O que será de nozes?

Crítica - Tão Forte e Tão Perto

18 de fevereiro de 2012

Perder um ente querido e ter que se adaptar a uma nova vida é um processo sempre bastante doloroso e intenso. Em Tão Longe e Tão Perto, este é o caso vivido pelo garoto de 11 anos, brilhante e hiperativo, Oskar Schell vivido pelo ator estreante Thomas Horn –, que perde seu pai, personagem de Tom Hanks (de Larry Crowne: O Amor Está de Volta), precocemente no episódio de 11 de setembro, quando as torres gêmeas do World Trade Center desabaram. 

A não aceitação do brilhante garoto Oskar Schell


Depois de Billy Elliot, Stephen Daldry realiza novamente um filme em que o protagonista é um adolescente talentoso, que tem um envolvimento especial com o pai. Diferentemente do filme de 2000, o personagem de Tão Forte e Tão Perto é um garoto com talento para resolver charadas, curioso por si só e com postura muitas vezes adulta. Oskar não se sacia enquanto não resolve enigmas; para ele, em tudo tem que haver sentido. Do contrário, não se satisfaz. Depois da morte do seu pai, ele encontra uma chave que pertencia a ele e, a partir daí, com a ajuda de um senhor mudo (Max Von Sydow, candidato ao Oscar 2012 de Melhor Ator Coadjuvante) traumatizado com os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, ele começa uma busca incessante para descobrir a fechadura pertencente à chave. 

Oskar, que já era ansioso e de curiosidade bastante aguçada, tenta lidar com esta tristeza da melhor maneira que sabe fazer: dando sentido às coisas. Contudo, apesar de sua inteligência, não percebe algo simples: seu pai não voltará. Não adianta passar tanto tempo pensando, aprisionado ao passado. É como um médico que sabe que o paciente está em estado terminal, mas tenta e luta para que isso não aconteça, sem perceber que é melhor tomar medidas paliativas, remediadoras, para que o paciente tenha uma despedida mais agradável. Paralelamente, é isso o que Oskar faz e, inclusive, invariavelmente, o avô percebe a sua obsessão e tenta extrair esta ideia fixa de sua cabeça. 

Erros e acertos do diretor Stephen Daldry em Tão Forte e Tão Perto


O diretor, que também fez As Horas (2002), juntamente com Eric Roth (que assinou os ótimos roteiros de Forrest Gump e Benjamin Button), inovaram ao deixar de lado o acontecimento em si, o desabamento do World Trade Center, e focar na consequência deste fato em uma família, mais precisamente, no garoto. No entanto, não basta ter uma ideia boa, tem que saber executá-la. O excesso de narrativa em off poderia ter sido enxugado, já que muitas vezes a cena já estava explícita e o pensamento do garoto dizia a mesma ação exercida na tela. 

Uma cena bem específica: depois de saber da morte de seu pai, para retratar a dor de Oskar, tanto o áudio quanto a câmera ficam sob a perspectiva do garoto, denotando o caos sentido pelo personagem. Muito bem executado, perfeito. Mas isso se já não tivesse sido utilizado pelo diretor em As Horas, quando Virginia Wolf tinha crises depressivas. 

Talvez a resolução do enigma da chave fosse desnecessária, se o que está em xeque era mostrar como o personagem superaria a morte do pai. Faria mais sentido encurtar o filme e, de bônus, não fazer esta revelação, deixando em aberto ao público e ir direto ao enredo. Assim foi feito quando o avô de Oskar sai da história, corroborando a busca pela fechadura como pano de fundo ao argumento do filme. Mas não chega a comprometer o desfecho, que é bastante lírico. Apenas o deixou de valorizar ainda mais. 

Por: Tiago Canavarros 
Nota: 6




Ficha Técnica


Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close) – 129 min 
EUA – 2011 
Direção: Stephen Daldry 
Roteiro: Eric Roth – Adaptado do romance de Jonathan Safran Foer 
Elenco: Tom Hanks, Sandra Bullock, Thomas Horn, Max Von Sidow, Viola Davis, John Goodman 

Estreia: 24 de fevereiro

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1 comentários:

Mattheus Rocha disse...

Eu vejo a mensagem do filme de outra forma. A intenção do roteiro é se aprofundar no universo de uma criança com síndrome de Asperger, não muito conhecido, e que transforma pessoas que convivem com isso em seres muito especiais. Eu convivi com um adolescente com esta síndrome durante alguns meses, em um trabalho, e pude perceber como o universo dele era diferente. E o diretor Stephen Daldry, que tem um talento especial para dirigir crianças, soube retratar este universo de uma maneira rica e extremamente comovente. As técnicas que ele utilizou, proporcionadas por um roteiro brilhante de Eric Roth, só fizeram amplificar a sensação de imersão na mente de Oskar. Considero o uso das narrativas em off essenciais para o sucesso desta proposta, ao mesmo tempo objetiva, como o raciocínio do garoto, e emotiva devido aos acontecimentos abordados. Uma das características da Síndrome de Asperger é não ter a capacidade de entender elementos subjetivos que parecem ser simples para pessoas "normais" como nós. E o fato dele sempre buscar sentido nas coisas e acontecimentos é porque ele não tem a capacidade de compreender o que não tem explicações racionais. E outra característica desta síndrome é a inteligência lógica muito evoluída, além dos medos e sintomas que podem ser confundidos com o mais conhecido TOC (transtorno obsessivo compulsivo). O garoto que interpreta Oskar está perfeito e o filme é uma pérola no que se propõe. Daria nota 9,5 ou até mesmo 10. E além de ser um belíssimo filme, pode ser muito útil em estudos sobre a Síndrome de Asperger. Stephen Daldry e Eric Roth estão de parabéns! Souberam utilizar seu estilo e técnicas não em algo que se propõe ser inovador, mas sim emocionante e real.

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