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Filmes de baseball nos Estados Unidos são praticamente um gênero próprio, assim com os filmes de futebol americano e basquete. Os norte-americanos possuem um talento único para descobrir boas histórias no mundo do esporte, e O Homem que Mudou o Jogo não foge da regra, mas também não é puramente "esportivo", como a maioria. Brad Pitt (de A Árvore da Vida) encarna  um personagem de traços fortes para contar uma história de estratégia e inteligência para mudar o status quo do meio em que atuava. 

Os bastidores do esporte em O Homem que Mudou o Jogo


Não um jogador, nem um técnico, o personagem central do filme, Billy Beane (Brad Pitt), é o gerente do Oakland A's. Sua função, que se auto-explica no longa, é a de gerenciar o dinheiro do time de baseball e cuidar de todas as negociações e contratos dos jogadores e técnicos. Para formar o elenco do Oakland A's a cada novo ano, o gerente conta com a opinião de uma equipe de conselheiros, cerca de 10 a 15 senhores de idade, olheiros e analistas que baseiam suas opiniões principalmente na intuição.

O Oakland A's é um dos times com menor orçamento da liga, e a situação fica particularmente desconfortável quando três de suas maiores estrelas, que haviam levado o time à fase final do último campeonato, são levadas por times maiores. Sem perspectiva de substituir suas perdas por jogadores equivalentes, Billy assume uma postura corajosa e passa a questionar de frente o modelo de contratação de novos jogadores. A princípio ele não sabe bem o que fazer, mas então conhece Peter Brand (Jonah Hill, de Cyrus), um jovem  recém formado em economia, que possui as respostas que Billy tanto procurava.

Existem muitos filmes de baseball por aí  a Sessão da Tarde que o diga , mas por que O Homem que Mudou o Jogo é diferente? Primeiro porque é uma historia real sem muita "dramatização" no aspecto esportivo do filme (partidas e treinamentos). Segundo porque trata na verdade, aí sim de forma romanceada, do mundo empresarial por trás do esporte. Apesar de Billy Beane ser o gerente de um time de baseball, os questionamentos e inovações que a história mostra são válidos para qualquer esporte grande o suficiente e que pretenda sustentar seu próprio mundo de negócios.

Importantes indicações ao Oscar 2012


No Brasil, Billy Beane é uma figura totalmente desconhecida, mas através da atuação de Brad Pitt logo fica evidente que se trata de um sujeito de traços muito marcantes. O ator se preocupa tanto em reproduzir o jeitão característico de Billy, que está entre os indicados a melhor ator no próximo Oscar. Mas a agradável surpresa entre as atuações cabe à Jonah Hill, no papel do assistente de Billy. Jonah, que se tornou conhecido em papéis de comédias adolescentes, como Superbad, se sai incrivelmente bem em um papel mais sério, e também disputa o Oscar como ator coadjuvante.

É questionável que o filme seja melhor que diversos outros títulos do último ano. Provavelmente questões culturais próprias dos norte-americanos tenham seu peso na escolha, mas o fato é que o longa também figura entre os indicados a melhor filme do Oscar 2012. No total são 6 indicações, um dos longas mais indicados do ano.

O Homem que Mudou o Jogo apresenta uma narrativa que na vida real não deve ter sido das mais empolgantes, por ser uma história de números e estatísticas, contra a intuição mística dos velhos conselheiros. Mas graças à magia do cinema, e à caracterização dos personagens, podemos testemunhar o lado pessoal de uma ótima história, de um homem que foi contra tudo o que estava estabelecido em seu meio, e virou o jogo. 

Por: Lucas Siqueira Cesar
Nota: 8




Ficha Técnica


O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball) – 133 min
EUA – 2011
Direção: Bennett Miller
Roteiro: Steven Zaillian e Aaron Sorkin
Elenco:  Brad Pitt, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright

Estreia: 17 de fevereiro 

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  1. Interessante seu texto. Em um nível teórico, o filme é fascinante por propor uma racionalização massiva numa esfera predominantemente intuitiva e imprevisível (e que, justamente por isso e por outras coisas como a fanatização, não me agrada em nada). Mas é certo que, em um nível prático, isso só contribui para a capitalização nada saudável de uma realidade que já gira em torno de números e cifras. Acho que O Homem que Mudou o Jogo se vale mesmo por esse embate, por conseguir ser um filme de "esporte" distinto ao retratar uma filosofia inovadora em um meio já convencido de si mesmo e sobrecarregar tudo isso em seu protagonista, cujo duelo com o beisebol não é nada simples e não se resume a meros valores morais ou coisas como "superação".

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