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Trinta

Crítica - O Artista

7 de fevereiro de 2012

Encabeçando a disputa de melhor filme no Oscar 2012 está um longa mudo, em preto e branco, feito como uma réplica dos filmes de Hollywood do fim da década de 20 e começo de 30. Em O Artista, o diretor e roteirista francês Michel Hazanavicius reutiliza as regras do cinema de 1920, não para retratar os fatos da história da sétima arte, mas para contar a transição do cinema mudo ao falado, mostrando passagens importantes, em forma de exemplo, através de um roteiro também digno da época.

O glamour e a pureza do cinema mudo são retratados em O Artista



O filme conta a história de um galã do cinema mudo, já com certa idade e com a carreira consolidada, que introduz uma jovem atriz na indústria do cinema, para logo depois ver seu próprio esquecimento, enquanto a garota se torna a nova grande estrela. George Valentin (Jean Dujardin) está no auge em 1927; um ator com um enorme sorriso e charme, bem representados em um bigode delineado e com o cabelo super engomado, além de estar sempre junto de seu cãozinho adestrado, que é sua marca registrada.

Já bastante metalinguístico em sua essência, o filme começa com uma cena do último sucesso de George Valentin, Russian Affair, em um grande teatro. Na cena, ele é um piloto capturado que está sendo torturado em uma máquina de raios elétricos no cérebro, mas ele não cede aos russos e consegue escapar com seu par romântico. Tudo bastante visual e com atuações de expressão e gestos hiper-realistas, típicos do cinema sem som – na verdade, toda ação é sempre acompanhada de orquestra ao vivo, responsável por criar o clima de cada cena.

A seção havia sido o grande lançamento do filme com a presença dos atores e, na saída, George é cercado de repórteres e garotas enlouquecidas, quando uma delas tropeça e cai além do cordão de isolamento. A garota é Pepppy Miller (Bérénice Bejo), que ganha a atenção do artista e acaba dando-lhe um beijo no rosto, fazendo a alegria dos fotógrafos. George ajuda Peppy a começar sua carreira de atriz dias depois, dando-lhe um pequeno papel no filme que está rodando e eles acabam desenvolvendo um afeto mútuo. Nesse momento se dá uma das melhores passagens do longa, na qual os dois precisam repetir a gravação de uma cena diversas vezes e, entre uma repetição e outra, nasce o amor entre eles. Mas George é casado e o relacionamento não vai além de uma troca de sorrisos afetuosos.

A renovação causada pela chegada da voz ao cinema



Poucos anos depois, George se depara com a novidade do som no cinema, o que o prejudica enquanto artista "mudo" e ele decide enfrentar a nova tecnologia, não acreditando que ela seja mais do que uma moda passageira. O orgulho de George é tão grande em aceitar as mudanças que ele literalmente não consegue ouvir a voz das pessoas, até mesmo de sua esposa que quer conversar, o que deixa o casamento em crise. Quase passa batido, mas a crise entre George e sua esposa é um exemplo claro de como a ausência de voz impedia o cinema de criar filmes mais complexos. Enquanto George é esquecido pela indústria, Peppy Miller se transforma na nova estrela do novo cinema, o cinema falado.

O trabalho do diretor Michel Hazanavicius explora bastante o conflito entre os antigos e jovens em um cenário de mudanças, e é recheado de cenas que são exemplos de como a transformação do som no cinema realmente se deu. Porém, esses exemplos são na maioria das vezes sutis e saltam principalmente aos olhos de quem está familiarizado com a história do cinema. Por ser um filme que fala do próprio cinema, mais especificamente da era de ouro de Hollywood, não é estranho esperar que se saia muito bem na disputa do Oscar. O Artista é um filme francês que exalta Hollywood, com potencial enorme para tocar o lado mais saudosista do júri.

Ao mesmo tempo antigo e totalmente inovador, e sem dúvida um filme que se pode chamar de belo, O Artista tem muitos motivos para ser o filme do ano no Oscar. Certamente é uma obra obrigatória para quem quer conhecer a história do cinema, um exemplo rico de como a técnica se desenvolve e por sua vez influencia o conteúdo e, também, de como ambos influenciam os bastidores e o cinema como indústria de entretenimento, além de expressão artística.

Por: Lucas Siqueira Cesar
Nota: 9




Ficha Técnica


O Artista (The Artist) – 100 min
França, Bélgica – 2011
Direção e Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller

Estreia: 10 de fevereiro

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