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O que será de nozes?

Crítica - Drive

28 de fevereiro de 2012

Sem tradução do título no Brasil, e também em muitos países, Drive acelera, dilacera e prende a atenção do início ao fim; e nem precisa ser fã de Grand Theft Auto (GTA) ou de jogos de vídeo game similares. O filme de ação mais empolgante dos últimos anos rendeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes de 2011 ao dinamarquês Nicolas Winding Refn, surpreendendo a muitos por ter sido preterido como Melhor Filme, já que na disputa, Terrence Mallick, com A Árvore da Vida, ganhou o prêmio máximo francês, a Palma de Ouro.

Baseado no romance homônimo de James Sallis, autor norte-americano de livros policiais convencionais, quando não frívolos, Drive vai à tela e é transformado pelo diretor dinamarquês em ação requintada com clima de filme Neo-Noir. Planos sequenciais bem executados e auxiliados por uma edição cuidadosa, somados a uma trilha sonora condizente com o clima dos anos 1980 do filme, dão o tom elegante e sofisticado a um thriller singelo, podendo fisgar o público.

Profissionalismo da bandidagem é apresentado no filme Drive


“Diga a hora e o lugar, e te dou um tempo de 5 minutos. Haja o que houver nesses 5 minutos, estou à disposição. Seja o que for. Mas o que houver após esses 5 minutos, você está por sua conta”. Tal bordão dito pelo dublê de cenas de acidentes de carros em Hollywood e mecânico que à noite é motorista de fuga para assaltos de quadrilha, sintetiza sua personalidade. Homem misterioso e de poucas palavras, apenas as pontua; este é o papel de Ryan Gosling (de Tudo pelo Poder).

Embora politicamente incorreto, o motorista segue uma ética, um código. E pretende seguí-lo, custe o que custar, incluindo violência extremada. Ao se envolver e se apaixonar por Irene (Carey Mulligan, de Shame), sua vizinha, ele tenta ajudar o marido recém-saído da prisão a pagar uma dívida, mas sem se ater ao romantismo propósito claro demonstrado pelo diretor é a ação –, o gesto acentua o comportamento do hábil motorista. Situação que remete ao filme Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese, quando o personagem solitário de Robert de Niro vê na garota de programa (Jodie Foster) uma motivação para fazer algo bom em sua vida.

Drive 2 vem aí?


A conduta muito solitária do motorista não é explicada, pelo menos não explicitamente, o que pode sugerir uma continuação pela parte do roteirista Hossein Amini (de Conspiração Xangai). É bem provável que isso aconteça, o que é mais que meio caminho andado. Ryan Gosling já deu indícios de que uma sequência seria bem vinda, mas com uma ressalva: que não se conte a mesma história.

Por: Tiago Canavarros
Nota: 9,5




Ficha Técnica

Drive 100 min 
EUA – 2011 
Direção: Nicolas Winding Refn 
Roteiro: Hossein Amini Baseado no livro de James Sallis 
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christina Hendricks, Ron Perlman 

Estreia: 2 de março

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1 comentários:

Lucas disse...

Esse filme é incrível! Direção de arte e trilha muito estilosos.

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