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A construção do clima de tensão crescente na narrativa, e o uso de um protagonista capaz de cativar o espectador, são elementos importantes para que um filme de ação conclua seus objetivos com louvor. O longa À Beira do Abismo, do diretor Asger Leth, acerta em cheio nestes itens. Infelizmente, há elementos no roteiro que reduzem o potencial da história. Resultado: um filme mediano, porém leve, divertido, explosivo, e com alguma crítica social. 

 

União de ação e humor é um dos pontos fortes do filme


Remetendo aos filmes O Fugitivo (de Andrew Davis) e Por um Fio (de Joel Shumacher) – embora, inegavelmente, inferior a ambos – À Beira do Abismo traz a história do ex-policial Nick Cassady (Sam Worthington, de Avatar), fugitivo condenado por roubo, que ameaça se jogar do alto de um edifício em Nova York. Após tomar conhecimento do fato, a polícia dirige-se ao local com uma policial psicóloga, Lydia Mercer (Elizabeth Banks, de 72 Horas), para tentar impedir o suicídio de Nick. Com o tempo, no entanto, descobre-se que a atitude é uma encenação, cuja finalidade é provar a inocência dele e incriminar o poderoso David Englander (Ed Harris, de Caminho da Liberdade). O irmão e a noiva de Cassady também estão na empreitada e irão ajudá-lo na busca pela liberdade. 

E é do alto do prédio que  o personagem de Nick (interpretado com sabedoria por Worthington) comanda o ‘espetáculo cênico’ que mobiliza os transeuntes de Manhattan, que hora gritam “Pula, pula”, ou o enaltecem, considerando-o uma espécie de mártir dos tempos de crise econômica. Tais sequências são apresentadas com primor, pois o movimento de câmera, e a montagem com cortes certeiros, tornam suficientemente crível o quão amedrontador é estar naquela situação. Por outro lado, a impressão das pessoas em relação ao fato inusitado (Por que será que o tal indivíduo quer ser matar?) garante um olhar cômico interessante. 

Falhas no roteiro atravancam o potencial de À Beira do Abismo


Em contrapartida, no momento em que Nick começa a estabelecer contato com a psicóloga (e “negociadora”) Mercer, o filme desce consideráveis degraus, pois a relação estabelecida entre eles é concebida de forma abrupta e artificial. Em outras palavras, tem-se a impressão de que a mocinha (interpretada pela bonita, mas pouco carismática e inexpressiva Banks) se interessou pelo sujeito (ou acreditou nas suas palavras), e deixou, imediatamente, suas atribuições de lado. O roteiro, que acertara na inclusão de humor em sequências anteriores, também peca por buscar de maneira forçada atrair a atenção do espectador para o “conflito amoroso cômico” entre o irmão de Nick e a namorada, que aliás, rouba o foco da história em alguns momentos.

Com um Ed Harris escancaradamente caricato (de propósito), representando um tipo que, por ser rico, age como se estivesse acima do bem e do mal (figura humana, infelizmente, comum na sociedade brasileira), o filme traz à tona a luta de um sujeito injustiçado contra grandes instituições, a batalha do “exército de um homem só”. Mesmo com sua despretensão, incute alguns questionamentos no espectador. Bom sinal. Com sequências de ação bem realizadas – algumas delas irresistivelmente improváveis – À Beira do Abismo, apesar das falhas, cumpre a função de divertir o público. 

Por: Bruno Mendes 
Nota: 7.5




Ficha Técnica


À Beira do Abismo (Man on a Ledge) – 104 min
EUA – 2012 
Direção: Asger Leth 
Roteiro: Jeb Stuart, David Twohy, Roy Huggins 
Elenco: Sam Worthington, Elizabeth Banks, Jamie Bell, Ed Harris, Edward Burns

Estreia: 03 de fevereiro

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