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Isolados

Crítica - Tomboy

12 de janeiro de 2012

Tomboy é uma palavra inglesa usada para designar uma menina que tem comportamento masculinizado. E é assim que se apresenta a protagonista do drama com esse título, escrito e dirigido por Céline Sciamma, que discute a construção da identidade a partir dessa troca de papéis.


Tempo de descobertas


A pré-adolescente Laure (Zoé Héran) se muda com sua família para um condomínio na periferia de Paris. Ainda pouco ambientada, a menina precisa fazer novos amigos, e a primeira criança que conhece é Lisa (Jeanne Disson), uma menina de sua idade que lhe pergunta seu nome. Laure responde sem hesitar: Michaël. A surpreendente resposta faz com que a partir desse momento Laure passe a se mostrar e ser vista como menino.

Inicialmente tímida, Laure vai pouco a pouco estabelecendo relações com a meninada da vizinhança. Magra e com cabelos curtos, se insere no grupo de crianças sem despertar suspeitas, até ter seu segredo casualmente descoberto por sua irmã menor Jaqueline (a encantadora Malonn Lévana), de apenas 5 anos, prenunciando os conflitos que irão acontecer.


Despertar é difícil



O roteiro de Sciamma é simples, direto e despretensioso. Não tenta teorizar a respeito da questão e ainda tem a virtude de colocar o espectador sempre numa posição privilegiada; ora fora da trama, como um observador, ora na pele da própria menina, podendo assim descobrir juntamente com ela o que é ser menino. E detalhes como tirar ou não a camisa num jogo de futebol, que os moleques fazem instintivamente, se torna uma coisa complicada para Laure. O que dizer então de tomar banho numa lagoa ou despertar interesse romântico no “sexo oposto”? Como frequentar a escola?

São pequenas tensões, que atravessam toda a narrativa, nos levando a refletir sobre a  complexidade do processo de construção da identidade, que vai muito além da sexualidade e está ancorada na percepção de si mesmo e dos outros, entre outras coisas. Interessante notar que o drama gira em torno das crianças, com os adultos representando papéis quase secundários, ainda que no final sejam eles que engendrem uma “solução” para o problema.

O elenco infantil formado por crianças de cinco a doze, treze anos dá conta do recado de maneira exemplar em sua espontaneidade. E é o “ator” mais jovem de todos, o irmãozinho recém-nascido de Laure, que traz uma pista para se começar a entender o drama, quando sua mãe diz: “Despertar, às vezes, é difícil.”

Por: Gilson Carvalho
Nota: 8

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Ficha técnica

Tomboy – 85 min
França – 2011
Direção e Roteiro: Céline Sciamma
Elenco: Zoé Héran, Malonn Lévana, Jeanne Disson, Sophie Cattani, Mathieu Demy, Yohan Vero, Noah Vero, Cheyenne Lainé, Rayan Boubekri, Christel Baras, Valérie Roucher

Estreia: 13 de janeiro

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