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É difícil dizer em qual franquia Robert Downey Jr. vestiu melhor seu personagem: Sherlock Holmes ou Homem de Ferro. Mas é muito fácil se divertir com os ótimos filmes destas sagas modernas, capitaneados pelas atuações irretocáveis e marcantes deste polêmico ator nova-iorquino e, claro, de seus coadjuvantes de luxo. Em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, os mistérios que precisam ser solucionados, com o poder de observação característico do genial Holmes e suas deduções inimagináveis para um ser humano comum, são eventos aparentemente desconexos, mas que podem levar o mundo à uma guerra.

A tensão entre nações, anterior à Primeira Guerra Mundial, é amplificada por um vilão de inteligência semelhante à de Holmes, mas com inclinações totalmente opostas. A ótima reconstituição de época, figurinos e direção de arte ambientam o ano de 1891 com perfeição e são elementos técnicos de destaque no filme. Já as cenas de ação são de tirar o fôlego, de tão bem construídas e orquestradas pela direção competente e singular de Guy Ritchie (de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch: Porcos e Diamantes), que trabalha tão bem as fugas e lutas, quanto a interação entre atores. Destaque para a cena do bombardeio na floresta, digna de aplausos em pé. A identidade visual implementada nos filmes de Sherlock Holmes realmente é brilhante.

A polêmica foi lançada nos filmes de Sherlock Holmes: conotação homossexual ou amizade fraternal?



Em recente entrevista, Downey Jr. desmentiu uma possível conotação homossexual que poderia haver no cinema entre Sherlock e Watson, admitindo que não haveria problema se fosse desta maneira, mas que seria um desrespeito à obra de Conan Doyle. Bom, as piadas de duplo sentido e os ciúmes de Sherlock em relação ao casamento de Watson não são implícitos na relação dos amigos, mas realmente há algo a mais, além de uma amizade fraternal entre dois parceiros inseparáveis? Cabe ao espectador tirar suas conclusões ou, simplesmente, não ligar para este detalhe elevado à status de polêmica no primeiro filme da saga. Talvez isso nem seja importante. O que interessa mesmo, afinal de contas, é a química perfeita entre Downey Jr. e o não menos competente Jude Law (o blogueiro de Contágio). 

Fato é que Sherlock Holmes caiu como uma luva em Robert Downey Jr., assim como os atores coadjuvantes defendem seus papéis com excelência. O único ponto não tão forte, mas que não compromete a trama, é a personagem de Noomi Rapace (a Lisbeth Salander de Os Homens que Não Amavam as Mulheres), que assume a figura feminina principal com a precoce despedida de Irene Adler (Rachel McAdams, de Meia Noite em Paris). Não que a cigana de Rapace não seja uma boa personagem; ela apenas não tem o diferencial de ser uma espécie de Holmes versão feminina que Adler tem, além de não ter uma conexão passada com o herói. Consequentemente, o conflito entre Sherlock e Madam Simza Heron não é tão aprofundado, nem tão divertido, quanto o anterior. Já o vilão, Professor James Moriarty (Jared Harris), e o irmão de Sherlock, Mycroft (Stephen Fry), estão sensacionais!

Elementar, meu caro Watson



Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras é tão bom quanto o primeiro filme da franquia, mas mais violento e sombrio. Enquanto no filme de 2009 a luta entre protagonista e antagonista parecia um jogo de gato e rato, com mais investidas em teor cômico do que em suspense, neste segundo o confronto entre Sherlock e Professor Moriarty é um jogo de xadrez aberto e carregado de tensão, mas sem deixar o humor impagável de Holmes de fora. Ou seja, uma obra imperdível e acima da média dos blockbusters hollywoodianos! E vêm por aí os terceiros capítulos de Homem de Ferro (2013) e Sherlock Holmes (2014), além da participação do herói da Marvel no filme Os Vingadores (2012). Vamos aguardar...

Nota: 9.5

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Ficha técnica

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows) – 129 min 
EUA – 2011
Direção: Guy Ritchie 
Roteiro: Michele Mulroney, Kieran Mulroney – Baseado nos personagens de Sir Arthur Conan Doyle 
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Jared Harris, Stephen Fry, Paul Anderson, Kelly Reilly, Geraldine James, Eddie Marsan, William Houston 

Estreia: 13 de janeiro

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  1. Quem fala que tem conotação sexual nunca leu o livro né? Por que quem já leu sabe que Sherlock não quer que Watson case somente por que ele vai parar de ir em investigações com ele. Além disso, Holmes não confia em Mary, isso deixa explícito no primeiro filme, quando ele faz suas deduções com ela. Além de no livro ele avisar isso para Watson. Essa história de conotação sexual é só besteira desses babacas que acham que tudo hoje é racismo, homofobia ou bullying. Acho completamente desnecessário afirmar isso. ¬¬

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  2. Transformaram o Sherlock homes e um jackie chan/jet lee da vida esse filme não tem nada a ver com Sherlock Holmes

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  3. O filme é realmente muito bom...Foi bem inovador mas ao mesmo tempo com uma boa infraestrutura fiel aos livros...O final foi genial...Adorei ver o Mycroft e o Holmes juntos...Muito bom mesmo...

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  4. Vi o Filme hoje.
    Mereceu os 9,5, muito bom!

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  5. pelo amor de deus... sherlock holmes nunca foi gatão, nem pegador, nem charmoso, nem nunca li uma história dele em que as mulheres o achassem atraente!

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