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Os Descendentes é um filme pequeno e correto, daqueles que são indicados nas principais premiações, mas não constam nas listas de favoritos. Mesmo assim, conquistou o Globo de Ouro de melhor filme dramático, desbancando A Invenção de Hugo Cabret (favoritíssimo ao Oscar, junto com O Artista, que levou o prêmio de melhor filme de comédia ou musical). George Clooney ainda levou o prêmio de melhor ator em filme dramático. Já no Oscar 2012 são quatro indicações: melhor filme, ator, diretor e roteiro adaptado.

Prêmios podem até ser exagero, mas indicações do filme Os Descendentes são merecidas


O roteiro adaptado do romance de Kaui Hart Hemmings é competente, a direção de Alexander Payne sempre é redonda e as atuações do núcleo principal estão bem alinhadas. Até o não muito versátil George Clooney consegue derramar lágrimas e transparecer emoção. Suas filhas, a estreante Amara Miller (Scottie) e Shailene Woodley (Alexandra) também defendem bem seus papéis, e Nick Krause (Sid, amigo de Alexandra) é o alívio cômico constante do drama da família. Os atores coadjuvantes complementam bem o elenco, com participação até de Matthew Lillard (o Salsicha de Scooby-Doo), desempenhando um papel bem importante para o desfecho da trama. 

Matt King (Clooney, de Tudo Pelo Poder) mora no Havaí, um lugar de visual paradisíaco no meio do Oceano Pacífico e considerado como uma espécie de “outro mundo” por seus amigos (o filme foi rodado lá). Mas Matt não vê desta forma, pois os problemas pelos quais inúmeros seres humanos passam não são amenizados pelo fato de estarem no arquipélago. E ele tem um grande problema, que parece só aumentar, à medida em que os acontecimentos de Os Descendentes avançam. 

Sua esposa sofreu um grave acidente de barco e está em coma. Cabe a Matt, antes pai e marido ausente, cuidar de suas duas filhas (de 10 e 17 anos), tentar zelar pela saúde de Patricia e ainda tratar de delicados assuntos de família. E, no fundo, é disso que o filme de Payne (de As Confissões de Schmidt e Sideways) trata. De relações familiares; de conflitos entre pessoas cujos laços são de sangue, mas que parecem não ter intimidade suficiente para conhecer realmente seu pai, sua esposa, suas filhas... 

Personagem de George Clooney é típico dos filmes de Alexander Payne


Matt não é um herói, nem um anti-herói. Apenas uma pessoa comum, imperfeita e que se vê em sua situação conflituosa, tendo que tomar decisões importantes para poder seguir seu caminho. É preciso dar valor ao que se tem, mas às vezes, quando se percebe isso, pode ser tarde demais.

O filme Os Descendentes também aborda, de maneira leve, temas complexos como traição e morte. Os sentimentos dos personagens são transpassados por belas imagens do Havaí e uma melancólica e bem colocada trilha sonora. A construção dos personagens ao mesmo tempo privilegia o drama e a comédia, não tornando o longa pesado e apresentando com riqueza os conflitos de seus protagonistas. Um filme para se fazer pensar... 

Nota: 9





Ficha técnica

Os Descendentes (The Descendants) – 115 min 
EUA – 2011 
Direção: Alexander Payne 
Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash – Baseado no romance de Kaui Hart Hemmings 
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Patricia Hastie, Beau Bridges, Matthew Lillard, Judy Greer 

Estreia: 27 de janeiro

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  1. O filme OS DESCENDENTES consegue continuar quando a história acaba. É um trabalho requintado e que deixa o espectador mergulhado em sua própria vida cotidiana e comum. Em alguns momentos ocorre mesmo uma catarse se nos deixamos levar pela surpreendente atuação de George Clooney. Perfeita! A superação dos problemas chega ao seu clímax quando diante do inexorável fato da morte todos são reconfigurados. Tudo parece menor e a morte em sua dimensão plena chega para recompor as personagens e reestruturar suas vidas, agora redescobertas em uma nova dimensão, em um novo patamar interior e de relacionamento familiar. O título tem um duplo sentido e, inclusive, maior, se pensarmos nos descendentes não apenas como os herdeiros, mas na família que se recompõe com a perda da matriarca. Na verdade, a questão social do Hawaí é relegada a um plano menor, não são tratadas questões relevantes, apenas se toca nelas. Mas o propósito do filme tampouco parece ser este. A atuação de Clooney, a música e a paisagem nos remetem antes a questões ontológicas de todo sre humano.
    profa. Bia Buganeme

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  2. O filme é uma droga. Os tais conflitos: um cara podre de rico, com a mulher em coma, nao tem nenhum problema serio com as filhas (que aceitam tranquilamente o fato de que mamae vai morrer) e só está preocupado com o fato de que a mulher foi infiel.

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