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Um longa com uma história metade metalinguística, que fala das dificuldades de se produzir um filme, e metade um drama humano sobre perdas e superação. O Pai dos Meus Filhos conta a história de um produtor francês de cinema que enfrenta os desafios diários de se fazer filmes, que muitas vezes não garantem retorno financeiro nas bilheterias, mas merecem existir em nome da arte.

Um personagem transformado subitamente


Grégoire (Louis-Do de Lencquesaing, de L'Apollonide: Os Amores da Casa de Tolerância) é um daqueles personagens que ganham a plateia facilmente, da mesma forma que ganha o afeto dos demais personagens ao seu redor. Através de seu enorme carisma, e principalmente do amor que dedica à esposa e às três filhas, logo ficamos do seu lado do jogo. Mas há outras características que o tornam especial além de seu carisma: sua segurança e capacidade de fazer acontecer os filmes em que está envolvido, o que transparece em O Pai dos Meus Filhos através de seu ritmo frenético de trabalho.

Mas apesar do trabalho incessante na maior parte do tempo Grégoire está falando ao celular sua produtora, a Moon Fimes, começa a dar sinais cada vez mais claros de que na verdade os negócios não vão nada bem, e ele passa aos poucos a sentir o peso do mundo em suas costas. Em certo momento, o filme se torna um retrato sobre a sobrecarga, e Grégoire troca sua antiga expansividade por uma melancolia depressiva, que culmina, inesperadamente, em uma atitude drástica. Agora a plateia é chocada, e uma questão se coloca inevitavelmente a cada um: Grégoire é um bom sujeito apesar de tudo? Ou um grande egoísta?

A importância de seguir adiante, nas mãos de boas atuações em O Pai dos Meus Filhos



A atuação da filha mais velha de Grégoire, Clémence (Alice de Lencquesaing), é excelente, e cabe a seu personagem junto com a mãe Sylvia (Chiara Caselli) o papel de transmitir a mensagem de superação que o filme contém. Também Louis-Do, como Grégoire, conduz com maestria seu personagem, conseguindo primeiro cativar a audiência com facilidade, e depois, ainda mostrar sua guinada drástica sem que isso pareça uma atitude artificial, mas apenas inesperada.

O Pai dos Meus Filhos conta ainda com uma trilha sonora de ótima qualidade (com destaque para um lindo arranjo de violão na versão para Greensleeves), e é um filme que mostra, através de um recurso quase literal, que o aparente final de uma história é apenas um novo começo.

Por: Lucas Siqueira Cesar
Nota: 8



Ficha técnica


O Pai dos Meus Filhos (Le Père de Mes Enfants) – 110 min
França, Alemanha – 2009
Direção e Roteiro: Mia Hansen-Løve, de Adeus, Primeiro Amor
Elenco: Louis-Do de Lencquesaing, Chiara Caselli, Alice de Lencquesaing, Alice Gautier, Manelle Driss, Eric Elmosnino, Sandrine Dumas 

Estreia: 20 de Janeiro

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