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Sétimo

Crítica - Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

23 de janeiro de 2012

Uma trilogia de grossos livros que se tornou um best-seller mundial. Uma adaptação cinematográfica produzida na Suécia país de origem do autor e onde se passa a história com um filme para cada livro. Os filmes rodaram o mundo em 2010  agradando crítica e público, mas apenas dois anos depois, apostando que a história ainda não havia alcançado todo seu sucesso potencial, Hollywood lança a segunda versão cinematográfica de Os Homens que Não Amavam as Mulheres (primeiro de três). Algo incomum no mercado cinematográfico, possível somente pela certeza de uma boa história.

Um jornalista com a carreira em crise e uma detetive de passado traumático



Mikael Blomkvist (Daniel Craig, de As Aventuras de Tintim) é um repórter investigativo que se tornou conhecido por desmascarar escândalos políticos e financeiros. Mas em um de seus últimos trabalhos, Mikael não conseguiu provar suas denúncias a um alto empresário e acabou sendo julgado culpado por difamação, fato que denegriu bastante sua imagem pública como jornalista. Paralelamente, se apresenta Lisbeth Salander (Rooney Mara, de A Rede Social), uma garota de visual cyberpunk, 20 e poucos anos, e que vive sob a tutela do estado desde alguns problemas familiares em sua infância. Atualmente Lisbeth trabalha secretamente como detetive para uma agência particular, mas sofre abusos sexuais de seu tutor da assistência social.

Os dois personagens acabam formam uma dupla investigativa após Mikael ser contratado por Henrik Vanger (Christopher Plummer, de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus), líder patriarcal de um dos mais fortes grupos de negócios da Suécia, para resolver o mistério do desaparecimento de sua sobrinha Harriet, 40 anos atrás. Mikael encontra no trabalho freelance uma oportunidade de salvar a carreira, e Lisbeth, que entra no caso após Mikael solicitar uma assistente, vê  na investigação uma profissão que realmente gosta, e que lhe ajuda a endireitar a própria vida. Para resolver o caso, eles se mudam para a ilha gelada da família Vanger, onde Harriet desapareceu, e onde moram Henrik e muitos de seus irmãos e sobrinhos. Suas mansões são vizinhas próximas, mas a maioria das relações entre os familiares estão cortadas.

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres é mais uma obra-prima de David Fincher



A direção de David Fincher, que talvez seja o que mais gere expectativas sobre este novo filme, rende de fato uma grande versão da história. Fincher tem um talento especial para gerar uma ambientação na ilha dos Vanger que reflete a própria natureza de seus moradores, e usa todo o poder que um crime não resolvido tem para deixar os espectadores grudados na história. Não é por menos, já que o cineasta tem ótimos filmes com esse tipo de história na bagagem, como Seven e Zodíaco, além de outros grandes longas (como Clube da Luta e A Rede Social).

Os personagens e ambiente de Millenium refletem bastante a própria vida do autor da série, Stieg Larsson. Um dos elementos mais característicos da família Vanger é o fato de muitos de seus membros homens serem defensores saudosistas do nazismo alemão. Henrik Vanger, que não compartilha desse traço, logo expõe tais integrantes de sua família ao jornalista que contratou. Stieg Larsson, por sua vez, era um jornalista conhecido em seu país por denunciar organizações neofacistas e, assim como Mikael, era fundador e principal jornalista de uma revista através da qual fazia suas denúncias. Esse fato faz com que os tipos apresentados na história, especialmente os Vanger, ganhem uma dimensão realista ao serem relatados por alguém que muito provavelmente teve contato com pessoas semelhantes.

O filme traz uma trama intrincada de mistério e uma variedade de núcleos maior que o habitual, mas não é uma obra que exija extrema atenção do espectador, como o recente O Espião Que Sabia Demais. Outro traço bastante característico da história, nos livros ou filmes, é a presença de cenas de violência mais explicitas, um dos elementos responsáveis pela atmosfera única de Millennium. Não se tem certeza sobre a continuação da adaptação americana da trilogia, ou se ela continuará sob os cuidados de David Fincher, principalmente porque o filme não alcançou o sucesso de bilheteria esperado nos Estados Unidos. Mas não há dúvidas de que se trata de um ótimo longa, e de uma história que acumula mais fãs cada vez que é exibida.

Por: Lucas Siqueira Cesar
Nota: 9.5






Ficha técnica

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo) – 158 min
EUA, Suécia, Reino Unido, Alemanha – 2011 
Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian – Baseado no romance de Stieg Larsson
Elenco:  Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Robin Wright 

Estreia: 27 de janeiro

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1 comentários:

Anônimo disse...

A sei não tenho minhas dividas quanto a essa versão americana (hollywoodiana) a versão sueca e muito boa.Esses remakes (não sei o termo técnico para isso ) não costumam ser bons!

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