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Histórias Cruzadas, indicado em quatro categorias do Oscar 2012 (incluindo Melhor Filme) é uma abordagem feita por pessoas que conhecem e viveram na época racista da cidade de Jackson, capital do estado de Mississipi, durante os anos 1960. Tanto o realizador, Tate Taylor, quanto Kathryn Stockett (eles são amigos de infância), autora do best-seller The Help, que originou o filme, se destacaram por atribuir propriedade sobre um assunto recorrente no cinema. O tema é similar a alguns filmes já produzidos sobre as cidades do sul dos EUA, como Fantasmas do Passado (de Rob Reiner) e Mississipi em Chamas (de Alan Parker), entretanto, o que o difere dos demais é seu enfoque, a história de mulheres domésticas que vivenciaram abusos e intolerâncias características da época naquela região.

Histórias Cruzadas aborda o preconceito racial


Se em Fantasmas do Passado (1996), a personagem de Whoopi Goldberg era ajudada pelo advogado (Alec Bladwin) para ter poder de voz, em Histórias Cruzadas, Minny Jackson (Octavia Spencer, vencedora do Globo de Ouro 2012 de Melhor Atriz Coadjuvante) e Aibileen (Viola Davis, de Confiar), por sua vez, tiveram ajuda de Skeeter (Emma Stone, de Amor a Toda Prova), aspirante à escritora, para tentar romper com o status quo vigente da década de 1960. O momento era de transição, contudo, ainda havia muita aversão às pessoas negras. O mesmo banheiro das residências começava a ser utilizado tanto por negros e brancos (em turnos distintos) e os ônibus começavam a não mais segregar as duas cores. Desde 1954, tais medidas, juntamente com a aceitação de negros na faculdade, já eram previstas em Lei. Mas mudar um hábito é uma tarefa árdua.

Skeeter, a escritora de primeira viagem e recém-formada, possui uma mentalidade mais aberta que as suas amigas, como a megera Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard, de Além da Vida), e tem uma profunda admiração por sua babá e mãe de criação, Constantine. Tal consciência e espírito de mulher independente fez com que ela resolvesse escrever um livro com relatos da rotina dessas mulheres, domésticas vítimas de racismo.

E é através destes relatos que o retrato desta época é destrinchado. Ao longo do emocionante filme, as babás/governantas são muitas vezes mais que o seu ofício exige, são mães de crianças deixadas de lado pelas mães biológicas e que ainda assumem um cargo extra, como psicólogas, para ajudar na solidão de uma dondoca em crise com seu casamento, por exemplo. Este é caso de Celia Foote (Jessica Chastain, de A Árvore da Vida). Um dos poucos pecados do filme é sua longa duração, denotando falta de atenção da equipe de edição, que poderia cortar cenas desnecessárias e assim conferir mais dinamismo e ritmo.

Destaque para o elenco afinado


De maneira singela, o drama dessas mulheres emociona e ainda consegue, em momentos propícios, ser engraçado. Para comover e rir, convincentemente, em um só filme, o elenco tem que estar muito bem e a prova disso é a grande quantidade de indicações e premiações que vem recebendo. O Sindicato de Atores dos Estados Unidos (SAG) agraciou Histórias Cruzadas em sua categoria principal, Melhor Elenco, e, anteriormente, Octavia Spencer foi eleita a Melhor Atriz Coadjuvante do Globo de Ouro 2012. Embora não esteja liderando nas listas de apostas, dia 26 de fevereiro, quando acontece a cerimônia do Oscar, Histórias Cruzadas pode faturar por Melhor Filme e, na categoria de Melhor Atriz, Viola Davis, juntamente com Octavia Spencer e Jessica Chaistan, que estão concorrendo pela estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, poderão enaltecer ainda mais o brilhante trabalho do elenco. 

Por: Tiago Canavarros
Nota: 8




Ficha técnica

Histórias Cruzadas (The Help) – 146 min
EUA – 2011
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Tate Taylor – Baseado no romance de Kathryn Stockett
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Ahna O'Reilly, Allison Janney, Sissy Spacek

Estreia: 03 de fevereiro


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  1. Ótimo texto, Tiago! Realmente o filme não tem uma história das mais originais, mas a abordagem é emocionante e diferenciada. O trabalho do elenco é primoroso e a reconstrução de época também. Só não concordo em relação à duração do longa. Acredito que foi uma opção acertada, a fim de destrinchar mais profundamente o drama dos diversos personagens, já que há muitos núcleos. O melhor filme que vi em 2012, até agora. =)

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  2. Esse e os Homens que não amavam as mulheres, embora sejam distintos, são os melhores de 2012! Vou te dizer que quando soube da duração do filme, me desanimei. Mas depois, com o desenrolar, me envolvi pela história.

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  3. o filme é maravilhoso!

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  4. Luciane Andréa da Silva2 de fevereiro de 2012 09:25

    Achei um filme muito interessante, afinal de contas os textos devem abordar tds os tipos de historias e não só as mil maravilhas...Gostei muito do filme.

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  5. aaaaaaaaaain
    quero asisitr A-GO-RA
    adorei *---*

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