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Steven Spielberg, sem dúvida, está entre os mais importantes diretores da história do cinema. Emoção é o termo que melhor sintetiza o que espectadores de várias idades, e distintas gerações, sentem ao se depararem com obras como E.T., Contatos Imediatos de Terceiro Grau e A Lista de Schindler, dentre outros filmes que hipnotizam tanto pela força das imagens, quanto pela delicada relação entre os personagens. O diretor, porém, com tantas obras lançadas, tem alguns trabalhos que não são memoráveis. Por exagerar no convencionalismo narrativo, e mergulhar no melodrama, seu novo longa, Cavalo de Guerra, adaptação do romance homônimo de Michael Morpurgo, é mais um tropeço de Spielberg.


Cavalo de Guerra nada mais é do que um filme com belas paisagens


Como toda aventura épica grandiosa, o filme – pontuado por tomadas aéreas que exibem belas paisagens – é ambientado na Primeira Guerra Mundial e traz a história de uma profunda amizade entre o garoto Albert (Jeremy Irvine) e o cavalo Joey, adquirido em um leilão pelo seu pai. Porém, por necessitar de dinheiro, o pai de Albert vende o cavalo, que passa a pertencer à cavalaria britânica. Na guerra o animal traça de forma marcante o destino de várias pessoas.

As belíssimas sequências – seja nas tomadas aéreas, ou quando o cavalo ara um terreno cheio de obstáculos e a câmera acompanha a ação alternando planos detalhes e planos próximos e, é claro, as cenas de combate – comprovam a marca Spielberg de qualidade em termos visuais. Cavalo de Guerra é um filme bonito, mas vazio, pois os diálogos soam piegas e a própria atmosfera da guerra parece menos tenebrosa por causa da aura pacífica criada com a chegada do cavalo. Certo que o filme é leve e não busca dar enfoque à guerra em si. Mas tal abordagem não se justifica além disso, embora o quê de delicadeza no contato entre Albert e o equino seja, inicialmente, bem exposto.


Hábil em conduzir dramas, Spielberg, desta vez, exagera no teor sentimental


Infelizmente, na clara intenção de comover o espectador ao mostrar o contato de um soldado norte-americano, soldado alemães, e um avô com sua neta, com o valente animal, o longa se perde, e embarca numa onda de sentimentalismo, pois a guerra das trincheiras, assim como outros conflitos historicamente marcantes, trouxe mortes, dores e traumas para “heróis” e “vilões”. O roteiro de Lee Hall e Richard Curtis, também se perde, por causa de conclusões fáceis no transcorrer das ações, o que torna o encadeamento narrativo demasiadamente previsível.

Competentíssimo nos critérios técnicos – a edição de som é primorosa – Cavalo de Guerra é um filme idealizado para toda a família e pode trazer brilho nos olhos daqueles que apreciam o bravo animal dos galopes. Todavia, Spielberg, que sabe envolver o espectador com tanta maestria, nesse longa exagera na dosagem de açúcar e, apesar do inegável zelo estético, deixa a desejar em quesitos importantíssimos.

Nota: 6.5


Ficha técnica

Cavalo de Guerra (War Horse) – 145 min
EUA – 2011
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Lee Hall, Richard Curtis – Baseado no romance de Michael Morpurgo
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tom Hiddleston, David Thewlis, Emily Watson, Toby Kebbell, Eddie Marsan, David Kross, Peter Mullan, Jeremy Irvine

Estreia: 6 de janeiro

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  1. Bruno, concordo em relação ao exagero melodramático. Além disso, também percebi que há um exagerado cuidado em não construir cenas demasiadamente violentas, o que pode ser interpretado como uma estratégia para não aumentar a censura e perder grande parte do público, já que se trata de um filme direcionado à família, devido à ligação do garoto com o cavalo. Por outro lado, Spielberg demonstra sua competência em criar soluções criativas para evitar cenas explicitamente violentas, como no fuzilamento dos dois irmãos desertores, por exemplo. Realmente, a sacada do moinho de vento foi genial! Além disso, as cenas de guerra são muito bem construídas e a reconstituição de época e figurinos também. É uma obra bem abaixo dos padrões de Spielberg e não merece todas essas indicações que vem recebendo, com exceção de algumas técnicas. =)

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  2. Esqueci de falar... Ainda me incomoda bastante esses filmes norte-americanos que acham que o mundo inteiro fala inglês fluentemente, inclusive no dia-a-dia... Nesse filme que se passa durante eventos anteriores e durante a 1ª Guerra, por exemplo, soldados alemães e famílias francesas falam no cotidiano em inglês. Claro que os produtores adoram facilitar a vida do maior mercado do mundo, que ainda é o estadunidense, mas a arte fica totalmente em segundo plano com artifícios deste tipo... Por outro lado, a cena de interação entre o soldados inimigos em campo de batalha, se unindo para salvar o cavalo, é espetacular!

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  3. Esse filme é maravilhoso chorei demais no final e em algumas partes! Eu amo cavalos demais , tenho um cavalo que eu amo muito e eu sei que ele tbm me ama toda vez que alguem monta nele e a pessoa manda ele andar , se eu tiver perto ele só anda quando eu começo a andar e me segue pra onde eu for !!!
    Faz muito tempo que não o vejo que saudades!!! S2 Te amo

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